Fábio Porchat fala sobre evolução como humorista e se abre sobre piadas preconceituosas que contava: ‘Eu era horrível’

Fábio Porchat não economizou histórias durante sua participação no “Conversa com Bial” nessa quarta-feira (24). O humorista falou sobre seu novo programa no canal GNT “Que História é Essa?”, comentou os perrengues que passou quando apresentava seu próprio talk show e relembrou sua infância.

Porchat revelou que, quando era mais novo, sofria e fazia muito bullying. “Sempre sofri muito bullying de [ser chamado de] viadinho. Na escola, para criança e adolescente, é o pior problema do mundo. Depois de adulto entendi que ser gay não é problema, que não é problema de caráter. Se me chamassem de ladrão, safado aí que era o problema”, afirmou.

O comediante também reconheceu seus erros da juventude. “Eu sacaneava também. Chamava de feia, xingava gente com problema. Eu era horrível. Lógico que eu era um adolescente racista, homofóbico, machista, total, contava piadas racistas das piores. Ria muito, meus amigos também”, relembrou.

E, em seguida, comentou como foi bom perceber o que estava errado e mudar isso em seu modo de fazer humor. “É muito importante que as coisas mudem, que a gente tenha representatividade, que a gente perceba que acabou. As pessoas falam ‘ah, antigamente que era bom’. Bom pra quem? Era bom pra mim, pra você, homem branco, hétero. Pro resto da população era uma m*rda. Fiz brincadeiras que machucaram pessoas, como também fui machucado. Hoje as coisas estão mudando. Acho que não mudaram. Estão mudando”, refletiu.

Bial então, perguntou como ele adquiriu essa percepção. “Eu fui ouvindo o que as pessoas têm a dizer. Pode ser que na sua realidade não tenha racismo, que não haja pessoas passando fome, mas a do país, de 200 milhões de pessoas, é outra realidade. Então, a gente precisa ouvir outras realidades”, concluiu Porchat.

Em outro momento da conversa, o humorista deu mais detalhes sobre seu novo programa “Que História é Essa”, que surgiu da ideia dele de ser o oposto das produções que as pessoas participam para “lacrar”. “Todo lugar a gente vê opinião, é um negócio de louco. As pessoas estão querendo ‘lacrar’ o tempo inteiro. Nas redes sociais, no programa. Antigamente se lacrava muito em talk show, agora estão lacrando 10h30 da manhã na Fátima [Bernardes], na Luciana Gimenez, na internet…”, lamentou ele.

“A gente está vendo muita opinião, e o melhor de tudo são as histórias que a gente conta. Opinião política, aborto, feminismo, machismo, Bolsonaro, e o que eu quero é história”, explicou. “Porque eu adoro contar histórias, ouvir histórias, aí eu pensei: ‘Pô, de repente é por aí’ e comecei a ver que, no fundo, todo mundo, famosos e anônimos, tem uma história boa pra contar. Histórias ótimas, interessantíssimas.”

Até o final de 2018, o comediante comandava o talk show “Programa do Porchat” na Record. No ‘Conversa com Bial’, ele recordou alguns perrengues que sofreu nas gravações. “Eu esquecia quem estava entrevistando no meio da entrevista. Sabia quem era a pessoa, mas esquecia o nome. Quando tinha que se despedir, usava a técnica de balbuciar o que talvez seja”, revelou.