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Justiça dos EUA decide sobre processo de pornografia infantil movido pelo ‘Bebê do Nirvana’, capa do ‘Nevermind’

Spencer Elden, mais conhecido como o bebê na capa do álbum “Nevermind”, acusava o Nirvana de exploração sexual e pornografia infantil.

Nesta segunda-feira (03), o Tribunal Distrital da Califórnia indeferiu um processo movido por Spencer Elden, mais conhecido como o “bebê do Nirvana”, que acusava a banda de exploração sexual e pornografia infantil. Na ação, movida em agosto do ano passado, o rapaz de 30 anos alegava ter sofrido vários “danos ao longo da vida” por ter seu corpo nu estampado na capa do álbum “Nevermind”.

No último mês, representantes do Nirvana deram entrada em um pedido de arquivamento do processo até às 10h do dia 20 de janeiro, no horário da Califórnia. Na papelada, advogados do grupo declararam que Spencer “passou três décadas lucrando com sua fama de ‘Bebê do Nirvana'” e somente agora demonstrou objeções à foto. Como argumentos, mencionaram o fato do rapaz ter reencenado o clique uma série de vezes quando mais velho, além de ter o nome do álbum tatuado no peito.

Nirvana Spencer Elden
Spencer, já adulto, recriando a capa do álbum. (Foto: John Chopple)

Além disso, pontuaram que caso as acusações de Elden fossem julgadas verdadeiras, todos aqueles que possuem o disco ou a foto de capa do “Nevermind” também seriam considerados culpados por posse de pornografia infantil: “As premissas são absurdas. Um breve exame da fotografia, ou a própria conduta de Spencer (para não mencionar a presença da fotografia nas casas de milhões de americanos que, na teoria dele, são culpados de posse ilegal de pornografia infantil) torna isso claro”.

De acordo com o jornal The Guardian, Spencer e seus representantes tinham até o dia 30 de dezembro para responder à moção feita pela banda, mas perderam o prazo. Como resultado, o juiz Fernando M. Olguin autorizou uma “emenda” no caso, dando ao autor do processo a chance de apresentar novas queixas até o dia 13 de janeiro. Caso a data seja novamente perdida, o processo deve ser anulado.

O processo de Elden

Além de acusar a banda por exploração sexual e pornografia infantil, Spencer alegou no processo original que as fotos feitas para a capa do “Nevermind” foram usadas sem consentimento de seus pais e dele, que tinha apenas 4 meses de idade, na época. A ação conta com 15 réus, incluindo o fotógrafo Kirk Weddle, Courtney Love (viúva de Kurt Cobain), Dave Grohl e os demais membros do Nirvana, além da gravadora que lançou e distribuiu o disco nas últimas três décadas. Elden pedia indenização de US$ 150 mil de cada uma das partes.

“Houve exploração sexual infantil comercial, desde quando Elden era menor de idade até os dias atuais“, apontaram os advogados de Spencer no documento, afirmando ainda que a imagem assemelha o rapaz a “um trabalhador do sexo, agarrando-se por uma nota de dólar”.

“O dano permanente que ele quase sofreu inclui, mas não está limitado a, sofrimento emocional extremo e permanente com manifestações físicas, interferência em seu desenvolvimento normal e progresso educacional, perda vitalícia de capacidade de ganho de renda, perda de salários passados ​​e futuros, despesas passadas e futuras para tratamento médico e psicológico, perda do gozo da vida, e outras perdas a serem descritas e comprovadas no julgamento desta questão”, mencionou o auto.