“13 Reasons Why”: Showrunner e psiquiatra rebatem pesquisa que indicou aumento nas estatísticas de suicídio após a série; entenda

“13 Reasons Why” gerou polêmica desde a estreia de sua primeira temporada, em 2017. Agora, há algum tempo depois dessa repercussão, após duas temporadas, um estudo do National Institutes of Health divulgado em abril relacionou um aumento no número de casos de suicídios com a série da Netflix. No entanto, em um artigo divulgado nesta terça (28) pela The Hollywood Reporter, o showrunner Brian Yorkey e a psiquiatra Rebecca Hedrick rebateram alguns argumentos da pesquisa, assegurando a dificuldade em se fazer essa associação.

Para os que não sabem, ou não se lembram, a produção exibe no último episódio da primeira temporada, uma cena bastante explícita da jovem protagonista Hannah Baker tirando sua vida. E segundo o estudo, a taxa de suicídios entre jovens de 10 a 17 anos – especialmente meninos – foi 28,9% maior no mês após a estreia do drama, maior do que taxas de anos anteriores.

Mas para a equipe envolvida na série, não dá para se traçar esse paralelo sem se aprofundar nas estatísticas. “É sempre difícil entender a correlação entre esses tipos de estudo, dado que não se sabe quem assistiu à série ou ouviu falar sobre nas notícias”, disseram eles. “Especialistas também concordam que muitos fatores contribuem para as pessoas tirarem suas vidas. […] ‘Pode haver outros eventos ou fatores desmedidos que ocorreram durante o período do estudo, que podem estar associados ao aumento nesses números'”, adicionou a dupla, fazendo menção à explicação dos autores da pesquisa.

Na série, a personagem de Hannah Baker, interpretada por Katherine Langford, passa por uma fase difícil de um quadro depressivo. (Foto: Reprodução/Netflix)

Outro argumento dado por Yorkey e Hedrick é de que os pesquisadores imaginavam que as taxas aumentariam para as meninas, visto que a cena é protagonizada por uma garota. Contudo, o aumento nas estatísticas foi registrado mais para os meninos, que, inclusive, infelizmente já estavam crescendo assim antes da estreia da produção. “Para os garotos, o aumento começou antes de o show estrear. […] As contas dos suicídios para garotas adolescentes têm sido mais estáveis na última década do que o dos garotos, que consistentemente têm crescido. O maior número registrado das meninas foi em novembro de 2016, bem antes que qualquer um tivesse assistido a ’13 Reasons Why'”, analisaram no artigo.

Por fim, ambos creem que a série é necessária por ter trazido o debate à tona, fazendo com que conversas do assunto sejam mais frequentes e, como consequência, mais pessoas sejam apoiadas quando necessário. “Depressão e suicídio têm crescido por muitos anos, então é importante mantermos os diálogos acontecendo para evitar tabus que estigmatizam as pessoas e as impede de pedir ajuda”, defenderam.

“’13 Reasons Why’ não é a primeira série a abordar esses tópicos pesados, nem a primeira a ser realista na sua narrativa. Mas acreditamos que foi o jeito honesto e corajoso que a série olhou para o bullying, o estupro e o suicídio que contribuiu para que o mundo falasse – para o bem”, pontuaram os dois.

IMPORTANTE: Depressão e bullying são assuntos super sérios e podem atingir qualquer pessoa. Se você ou alguém que você conhece está passando por dificuldades emocionais ou considerando o suicídio, ligue para o ‘Centro de Valorização da Vida’ pelo número 188. O CVV realiza apoio emocional, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email e chat 24 horas todos os dias. Para mais informações, clique aqui.