Conversa com Bial: Barack Obama comenta ‘pólvora e saliva’ de Bolsonaro, e cita Lula e Dilma; assista

O “Conversa com Bial” dessa segunda-feira (16) entrevistou uma das figuras mais importantes da história norte-americana. Quatro anos após deixar a presidência dos Estados Unidos, Barack Obama lança “Uma Terra Prometida”, o primeiro volume de suas memórias em mandato. Durante entrevista com Pedro Bial, o democrata falou sobre a obra, a pandemia, a vitória de seu ex-vice, Joe Biden e, claro, analisou a relação dos EUA com o Brasil.

O atual presidente estadunidense, Donald Trump, tem mostrando forte resistência em aceitar a própria derrota e segue alegando que as eleições do país teriam sido fraudadas. “Não estou surpreso com o fato de Donald Trump estar violando o costume da transição de poder pacífica porque ele violou vários tipos de normas antes. A boa notícia é que, no fim das contas, não vai fazer diferença. No dia 20 de janeiro, teremos um novo presidente”, afirmou Obama.

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Assim como o líder republicano, Jair Bolsonaro ainda não reconheceu a eleição de Biden e até mesmo fez ameaças ao político, na semana passada. “Quando acabar a saliva, tem que ter pólvora”, disse, em relação às pressões de Joe sobre as queimadas na Amazônia, sugerindo um possível embate entre os países. Barack, por sua vez, reagiu à jocosa declaração e comparou as políticas do brasileiro às de Trump. “Não conheço o presidente do Brasil. Eu já tinha saído quando ele assumiu o cargo. Então não quero dar uma opinião sobre alguém que não conheci”, começou.

“Posso dizer que, com base no que vi, as políticas dele, assim como as de Donald Trump, parecem ter minimizado a ciência da mudança climática. E o Brasil é obviamente um ator central na ação de poder ou não frear os aumentos de temperatura que podem causar uma catástrofe global. Tive a sorte com o presidente Lula da Silva e Dilma Rousseff de ter os dois trabalhando cooperativamente com a gente nisso. Acho que o Brasil no passado, foi um líder em relação a isso. Seria uma pena se deixasse de ser”, reforçou, sobre o papel central do país na questão ambiental.

Os EUA apresentam maior número de casos e mortes pela Covid-19 no mundo, seguido da Índia e Brasil. Por aqui, mesmo diante de mais de 166 mil óbitos ocasionados pela doença, ouvimos declarações do tipo “é só uma gripezinha” sendo proferidas por Bolsonaro. “Quando analisamos a pandemia, em relação às ações de Donald Trump e como estão lidando com ela no Brasil, eles subestimaram a ciência. Isso gera consequências”, ressaltou Obama.

O marido de Michele disse ter esperança de que, com o novo governo de Biden, exista uma oportunidade de redefinir a relação entre ambas nações. “Sei que Joe Biden vai enfatizar que a mudança climática existe. Tanto os Estados Unidos quanto o Brasil vão desempenhar um papel de liderança. Sei que Joe Biden vai enfatizar a ciência quando se trata da existência da Covid-19.  Precisamos nos mobilizar dentro do nosso país e de forma internacional para tentar dar um fim a essa pandemia”, continuou.

“No fim das contas, os Estados Unidos e o Brasil têm muitas coisas em comum. O progresso que precisa acontecer, não só no hemisfério, mas no mundo, vai ser, em parte, determinado pela qualidade da relação entre os nossos dois países”, enfatizou.

Ainda em seu discurso, o democrata deixou um recado para Trump, que muito bem pode servir a Bolsonaro. “Quando você é eleito para liderar um país, geralmente a única coisa que os eleitores não querem ouvir são as suas reclamações. Porque o que você está passando não é tão difícil quanto o que muitos deles passam. Eles podem estar perdendo o emprego, a casa, podem estar tentando dar um jeito de cuidar de um filho doente. Não querem ouvir uma pessoa que está voando no Air Force One e mora na Casa Branca dizendo: ‘Por que as pessoas estão me tratando mal’?”, opinou.

Abaixo, você pode ver o vídeo com a declaração de Barack, seguida de um desabafo do presidente do Brasil, de não poder tomar mais seu caldo de cana na rua e nem comer seu pastelzinho.