Justiça do Rio ordena retirada do especial de Natal do Porta dos Fundos do ar; Web se revolta com decisão e aponta censura: “Inaceitável”

Nesta quarta-feira (8), o TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro) exigiu que a Netflix retire do ar o especial de Natal do humorístico Porta dos Fundos, intitulado “A Primeira Tentação de Cristo”.

A decisão foi anunciada pelo desembargador Benedicto Abicair, da Sexta Câmara Cível do TJ-RJ, a pedido da Associação Centro Dom Bosco de Fé e Cultura, que é uma entidade conservadora católica. O programa produzido pelos humoristas tem sido alvo de duras críticas desde dezembro, quando foi lançado na plataforma de streaming.

Na história criada por eles, Jesus Cristo foi retratado como um homem gay e José, Maria e Deus teriam vivido um triângulo amoroso. Agora, Abicair alega que a medida foi necessária para “acalmar os ânimos” da população. “A retirada do programa é mais adequada e benéfica, não só para a comunidade cristã, mas para a sociedade brasileira, majoritariamente cristã, até que se julgue o mérito do agravo”, escreveu na decisão.

Vale lembrar que, na véspera de Natal, a sede do Porta dos Fundos, no Humaitá, zona sul do Rio, sofreu um ataque com coquetéis molotov de um grupo neofascista. O principal suspeito do crime, Eduardo Fauzi Richard Cerquise, segue foragido desde o dia 31 de dezembro. A Interpol o incluiu na lista vermelha de procurados a pedido da Polícia Federal.

Segundo o desembargador, o Ministério Público do Rio está de acordo com a sua decisão em razão do que definiu como “abuso do direito de liberdade de expressão através do deboche e do escárnio com a fé cristã”. Procurados pelo Uol, o Porta dos Fundos e a Netflix não se pronunciaram ainda sobre a decisão.

Nas redes sociais, a notícia caiu como uma bomba e foi encarada como uma “censura” ao trabalho humorístico. “É o primeiro caso de censura que atinge um projeto gigantesco. Isso vai repercutir no mundo inteiro. A liberdade da cultura no Brasil acabou. O precedente que isso abre é imenso. A esperança é um desembargador revogar ou o STF anular essa decisão estúpida”, escreveu o youtuber Felipe Neto.

Mesmo as pessoas que não concordam com o trabalho feito pelo Porta dos Fundos no especial de Natal viram com maus olhos a decisão judicial. “Como Cristão Reformado, não apoio e não gosto do Especial de Natal do @portadosfundos. Defendo a liberdade e é inaceitável o Estado determinar o que as pessoas podem e não podem ver. Censura não!”, escreveu um rapaz.