A Polícia Civil do Rio de Janeiro apura se a namorada do adolescente de 14 anos que confessou ter matado os pais e o irmão de três anos, teve algum tipo de participação no crime. A jovem, de 15 anos, mora em Água Boa, no Mato Grosso, e teria conhecido o garoto em 2019 por meio de jogos online.
Segundo o jornal Extra, a adolescente foi ouvida pela polícia nesta quinta-feira (27) em sua cidade. O depoimento durou cerca de duas horas e foi acompanhado pela mãe dela. A transcrição foi encaminhada para a 143ª Delegacia de Polícia (Itaperuna), responsável pela investigação. A jovem negou qualquer envolvimento.
A polícia passou a considerar a possibilidade do envolvimento da namorada depois que o próprio adolescente revelou, em depoimento, que uma briga com os pais por causa de uma viagem para encontrar a garota teria sido o estopim para os assassinatos. “Durante a perícia, encontramos uma bolsa de viagem já pronta para viajar. Nela, estavam os celulares das vítimas“, disse o delegado Carlos Augusto Guimarães ao jornal O Globo.
O laudo confirmou que as três vítimas morreram em decorrência de ferimentos provocados por arma de fogo na região da cabeça. A arma usada no crime era do pai do adolescente, que possuía registro como Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC). O crime foi descoberto na quarta-feira (25), após a avó materna do adolescente procurar a polícia para registrar o desaparecimento da família no dia anterior. O neto, na ocasião, alegou que o irmão havia se ferido ao engolir um caco de vidro e que os pais saíram de casa às pressas com ele, sem retorno.

No entanto, durante a perícia, foram encontradas manchas de sangue no colchão do casal, roupas sujas e parcialmente queimadas e um forte odor na propriedade. Os corpos foram localizados em uma cisterna do imóvel. “A quantidade de sangue era incompatível com o acidente doméstico que ele narrou para a gente. Depois que localizamos o corpo, ele confessou o crime. Disse ter dado um tiro na cabeça do pai e da mãe; no irmão, foi no pescoço. Perguntamos porque ele matou o menino, e ele disse que foi para poupá-lo da perda dos pais“, declarou o delegado.
Segundo o próprio jovem, ele usou um suplemento pré-treino para não adormecer. Depois, ele esperou que todos estivessem dormindo, pegou a arma escondida e atirou. Ele ainda limpou o caminho até a cisterna com um produto de limpeza. Após a confissão, o adolescente passou uma noite na delegacia e foi ouvido pelo Ministério Público. Na quinta-feira (26), foi transferido para uma unidade do sistema socioeducativo do estado.
O delegado descreveu o comportamento do jovem como calmo e sem arrependimento: “Ele foi muito espontâneo ao contar como cometeu os crimes. É um menino frio, sem remorso. Perguntamos se ele se arrependia, e ele disse que não, que faria tudo de novo. As respostas que ele nos deu foram rápidas e o tempo todo ele se autoafirmava como homem. Tinha um “que” de psicopatia. Ele pode ter premeditado tudo ou é um menino muito inteligente“.
A investigação continua, agora com atenção voltada para possíveis mensagens trocadas entre o adolescente e a namorada, que possam indicar algum tipo de incentivo ou planejamento conjunto.
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