O caso da morte do cão comunitário Orelha ganhou um novo desdobramento nesta segunda-feira (26). O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, declarou que o grupo de adolescentes suspeito do crime também é suspeito de tentar afogar outro cachorro na Praia Brava. Caramelo vivia junto com Orelha no local.
De acordo com Ulisses, a tentativa de afogamento de Caramelo aconteceu no mesmo dia da morte de Orelha. No entanto, o cão conseguiu escapar e sobreviveu. Em uma postagem no Instagram, o delegado confirmou que adotou o animal e que ele está saudável após ter sido resgatado.
Ulisses afirmou que “quis o destino” que ele e a esposa adotassem o Caramelo. Ele também garantiu que os responsáveis pelos maus-tratos dos cães serão responsabilizados por seus atos. “Pau que bate em Chico, bate em Francisco. A Justiça será feita, independentemente de quem sejam os autores que praticaram essa triste e lamentável ação criminosa contra esses dois animais”, escreveu.

O governador Jorginho Mello (PL) determinou prioridade na investigação. De acordo com ele, a magistrada inicialmente responsável pelo processo se declarou impedida, e um novo juiz assumiu a análise dos pedidos de busca e apreensão e de outras medidas cautelares. O inquérito está sendo acompanhado pelo Ministério Público de Santa Catarina. Entretanto, o caso tramita sob sigilo em razão do envolvimento de menores de idade.

Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos na manhã desta segunda-feira (26) em endereços ligados a dois adolescentes suspeitos da agressão e a um homem apontado como responsável por ameaçar uma testemunha. De acordo com Ulisses Gabriel, no caso do adulto, a ordem judicial tinha como objetivo localizar uma arma de fogo que teria sido usada durante a intimidação.
Durante a operação, policiais apreenderam celulares e computadores dos adolescentes, que agora passarão por perícia. As investigações também indicam que ao menos três adultos podem estar envolvidos em episódios de coação de testemunhas. Todos devem ser ouvidos nos próximos dias para esclarecer o caso. Outros dois adolescentes suspeitos das agressões estão nos Estados Unidos. Segundo o delegado, a viagem já estava marcada antes do crime, e a expectativa é de que eles retornem a Florianópolis na próxima semana.
Os adolescentes envolvidos serão ouvidos pela Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso. O caso é investigado desde 16 de janeiro e está sob responsabilidade conjunta das promotorias da Infância e Juventude e do Meio Ambiente de Florianópolis. O Ministério Público de Santa Catarina informou que acompanha o andamento das investigações e irá analisar as providências cabíveis após a conclusão do inquérito policial.
Entenda o caso
Conforme relatos dos moradores, Orelha estava desaparecido. Dias depois, uma das pessoas que cuidavam dele, o encontrou durante uma caminhada, caído e agonizando. Ela recolheu o animal e o levou a uma clínica veterinária, mas, devido à gravidade dos ferimentos, ele foi submetido à eutanásia.
Em entrevista à NSC TV, o empresário e morador da região, Silvio Gasperin, explicou como a comunidade tomou conhecimento do caso. “A Fátima ficou sabendo, mas não encontrou ele de imediato. Em uma caminhada, achou ele jogado e agonizando. Recolheu, levou ao veterinário. Precisa de justiça, né?”, cobrou, emocionado.
Orelha estava em uma das três casinhas de Praia Brava, destinadas aos cães que se tornaram mascotes da região. “Muita gente vinha trazer comida para eles, mas eu era o responsável por alimentá-los todos os dias. Eles não podiam ficar sem comida e sem cuidado”, contou o aposentado Mário Rogério Prestes, que acompanhava de perto os animais.
Além de conviver com os moradores, Orelha também interagia com outros cães do bairro. A empresária Antônia Souza, tutora da cadela Cristal, explicou que sua própria cachorra interagia com os outros animais durante os passeios. “Eles conviviam com a gente. Eles tinham uma vida na Praia Brava. Todo mundo que mora aqui, ou vem com frequência, sabe de quem estamos falando: os ‘pretinhos'”, afirmou.
Em comunicado, a Associação de Moradores da Praia Brava destacou o papel afetivo do cão. “Orelha fazia parte do cotidiano do bairro há muitos anos e era cuidado espontaneamente pela comunidade, tornando-se um símbolo simples, porém muito querido, da convivência e da relação de cuidado que muitos mantêm com o espaço e com os animais que aqui vivem”, declarou.
Desde a morte de Orelha, moradores, protetores independentes, Organizações Não Governamentais (ONGs) e institutos ligados à causa animal têm se manifestado, pedindo justiça. Nos dias 17 e 24 de janeiro, eles se reuniram em uma mobilização pelo mesmo propósito. Um boletim de ocorrência foi registrado, e o caso é investigado pela Delegacia de Proteção Animal.
Siga a Hugo Gloss no Google News e acompanhe nossos destaques🚨🔵 Indignados com a morte do cão comunitário ‘Orelha’, moradores da Praia Brava, no Norte da Ilha, realizaram um protesto neste sábado (17), em Florianópolis (SC), pedindo justiça e punição aos responsáveis. Mais de 100 pessoas participaram da manifestação pacífica e caminharam… pic.twitter.com/WaLnUghX31
— Jornal Razão (@jornalrazao) January 17, 2026