Sari Corte, empregadora da mãe de Miguel, garotinho que morreu ao cair de prédio responderá por homicídio culposo; Vídeo mostra detalhes do caso no elevador

Lamentável! Nesta terça-feira (2), Miguel Otávio Santana da Silva, de apenas cinco anos, faleceu após cair do 9º andar do edifício de luxo Píer Maurício de Nassau, que fica no bairro de São José, em Recife. O garoto era filho de uma auxiliar doméstica que trabalhava para a família do prefeito de Tamandaré, Sérgio Hacker.

Em coletiva de imprensa realizada nesta quarta (3), a Polícia Civil de Pernambuco informou que a patroa, Sari Gaspar Corte Real, inicialmente tentou impedir Miguel de se locomover no elevador, mas acabou cedendo e permitiu que o garoto entrasse no equipamento sem a supervisão de um adulto. Ele buscava pela mãe, Mirtes Renata Santana da Silva, que estava fora, passeando com o cachorro dos moradores. Em um dos momentos das filmagens da câmera de segurança é possível ver que Gaspar aperta um dos botões do elevador, deixando o menino ir sozinho para o nono andar.

Lourdes Cristina, tia da criança, alegou que Sarí era atendida por uma manicure, quando o caso aconteceu. “O menino começou a chorar. Só que ela (a patroa) não ligou para chamar a mãe de volta, nem nada. Infelizmente, aconteceu o que aconteceu […] Estava a patroa e uma pessoa trabalhando, fazendo a unha dela”, lamentou, em entrevista ao G1. Assista ao vídeo:

Miguel parou no nono andar, numa área onde ficam os condensadores dos ares-condicionados do prédio. A perícia acredita que ele tenha se projetado em uma grade de alumínio, que acabou cedendo e ocasionando a queda de aproximadamente 35 metros de altura. O garoto chegou a ser socorrido e encaminhado para o Hospital da Restauração, no bairro do Derby, mas não resistiu, e faleceu por politraumatismo, segundo consta em seu atestado de óbito.

Sari chegou a ser presa em flagrante, mas terminou liberada mediante fiança de 20 mil reais (Foto: Reprodução / Instagram)

Sarí foi autuada por homicídio culposo – quando não há a intenção de matar –  por ter agido com negligência. Após pagar uma fiança de 20 mil reais, a primeira-dama de Tamandaré responderá ao processo em liberdade. Segundo a Polícia Civil, ainda será feita uma análise mais apurada para saber se o condomínio também será responsabilizado legalmente pela morte de Miguel. O delegado Ramón Teixeira, da Delegacia Seccional de Santo Amaro, deu mais detalhes sobre a investigação, que tomou como base as imagens do circuito interno de TV do prédio.

“Ouvimos os depoimentos e montamos uma cadeia cronológica, identificando um fator determinante para alterar o juízo técnico-jurídico. Nas imagens, vimos que a moradora aperta um botão e a criança entra no elevador, saindo no nono andar. Lá, nós conseguimos ver depois a imagem do garoto gritando pela mãe na hora da queda”, explicou o delegado.

“Foi uma queda acidental, mas a responsabilidade anterior advém do título de culpa. Não houve sequer dolo eventual ou vontade dirigida para o resultado, mas existiu um comportamento negligente. A patroa, que se encontrava em situação flagrancial, fica responsabilizada legalmente. A legislação permite fiança e, após o pagamento no valor de R$ 20 mil, ela foi liberada para responder em liberdade. O prazo da conclusão do inquérito é de 30 dias”, acrescentou.

À esquerda, print do vídeo de segurança que mostra Miguel dentro do elevador. À direita, imagens da grande onde o garoto, supostamente, se pendurou. (Foto: Reprodução/G1)

O corpo de Miguel foi velado ontem (3), no bairro de São José, com a presença de parentes e amigos da família, que prestaram condolências aos pais do garoto. Um vídeo compartilhado por uma prima do falecido, indica que Sari e seu marido, Sérgio, também compareceram à cerimônia.

A gravação veio acompanhada da seguinte frase: “Como vocês têm coragem de virem ao velório do nosso Miguel? Como a frieza de vocês chega a esse ponto? Você levou o Miguel para o elevador, apertando o botão e ele indo sozinho. Por conta disso, Miguel caiu do prédio”.

O caso tem comovido muitos internautas, que compartilharam sua indignação na web. Uma petição, clamando por justiça no caso de Miguel Otávio, também foi criada, e você pode assiná-la clicando aqui.

Confira mais reações sobre o caso, abaixo: