Após divulgação de conversas chocantes, Robinho dá entrevista e causa mais revolta: ‘Infelizmente, existe esse movimento feminista. Muitas mulheres, às vezes, não são nem mulheres’ – Assista

Na noite desta sexta-feira (16), Robinho falou pela primeira vez, em entrevista, após a suspensão de seu contrato com o Santos Futebol Clube. Ao UOL Esporte, o jogador comentou sobre a divulgação da transcrição de conversas suas e trechos da decisão judicial que o levaram a ser condenado por violência sexual de grupo em 2017, em primeira instância, na Itália.

Na entrevista, o jogador culpou o feminismo pelas consequências que tem sofrido, e ainda disparou um comentário, que vem sendo interpretado como transfóbico nas redes sociais. “Infelizmente, existe esse movimento feminista. Muitas mulheres, às vezes, não são nem mulheres, pra falar o português claro“, disparou Robinho. Sim, é isso mesmo que você leu. Robinho, que admitiu em áudio interceptado pela justiça italiana, ter feito sexo com uma mulher sem o consentimento dela, ou seja um estupro, acredita que a revolta que tem recebido seja culpa do movimento feminista.

Durante o papo com o UOL, Robinho contrariou os áudios e negou ter participado de um estupro da vítima (Foto: Reprodução/UOL)

Robinho negou que teria participado do estupro coletivo, mas admitiu seu envolvimento com a garota. “Ela tocou em mim, eu toquei nela, por cerca de 15 minutos, mas não houve relação sexual, penetração, nada disso. Então, eu fui para casa e, no dia seguinte, meus amigos contaram que haviam tido relação sexual com ela. Com o consentimento dela”, alegou o jogador. Nos áudios, entretanto, o atleta já havia admitido ter feito sexo oral com a vítima, e que sabia que ela não estava consciente por conta do consumo de bebidas alcóolicas. Para Robinho, é como se sexo oral não fosse uma relação sexual, e que o fato de alguém não estar consciente durante o ato não caracterizasse um estupro.

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“Eu tô me defendendo, os garotos, se eles fizeram alguma coisa com ela, eu não posso falar por eles. Eu sei o que eu fiz com ela, com consentimento dela”, argumentou ele. Entretanto, o atleta declarou posteriormente que estava presente quando os colegas se relacionaram com a vítima. Mais uma contradição. Ele ainda afirmou: “Meu único erro foi trair minha mulher”.

A reportagem tentou questionar Robinho sobre os diálogos expostos pelo “Globo Esporte”, entretanto, após interrupções de assessores e advogados, o jogador se esquivou. “Olha, eu gostaria de te dar uma entrevista de forma mais ampla e explicar exatamente o que aconteceu. Mas como isso está em segredo de Justiça, não posso falar exatamente. Gostaria muito de falar, mas pode ser que isso me prejudique”, declarou. “Tenho que dar uma entrevista meio que… Os advogados falam que não posso falar”, completou ele.

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Robinho também usou o ‘argumento’ de que uma vítima de abuso sexual não aceitaria deixar o local com os responsáveis pelo crime, como a jovem aceitou. Então, a reportagem o confrontou, lembrando que muitas vezes a vítima se sente paralisada pelo medo. Mas a advogada do jogador também interrompeu a equipe do UOL, criticando a pergunta. Nisso, o atleta comentou: “Respeito todas suas perguntas, não tem problema. Também gostaria de te responder com mais clareza, porque não sou mentiroso, sou verdadeiro e não fiz nada de errado, mas tem coisa que é do processo, então?”.

Assista a trechos da conversa:

Robinho se compara a Jair Bolsonaro e se diz perseguido

Essa não foi a primeira vez que Robinho se manifestou sobre a história. Na tarde desta sexta-feira (16), supostos áudios dele vazaram na web, nos quais o jogador reclamou das críticas e da cobertura do seu caso pela TV Globo – a qual chamou de “emissora do demônio”. “Desistir jamais, fala para ele ficar em paz, tranquilo. Esses ataques aí da Globo não vão me afetar. Deus está no controle de tudo. Só blindar minha família dessas coisas. Porque minha esposa, meus pais e filhos são os que mais sofrem, mas estou tranquilo”, declarou.

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Robinho falou que a Globo “não preserva coisas boas, só dão ênfase para coisas negativas”, e que o canal menospreza o Santos. “Acham que os grandes são só os de São Paulo, entendeu?”, acusou ele. O atleta até mesmo fez uma promessa: “Fala para o Marcelo que estou tranquilão, de boa, me preparando para jogar e meter gol”.

Transcrições de conversas do jogador foram decisivas para sua condenação (Foto: Reprodução/Santos TV)

Em outra gravação, Robinho se comparou a Jair Bolsonaro. “Vocês viram o que eles fizeram com o Bolsonaro antes da eleição? Os ataques que eles fizeram? Falaram que ele era isso e aquilo, que era racista, que era fascista, que era assassino… Quanto mais eles batiam no Bolsonaro, mais ele crescia. Estou em paz, de coração, não estou preocupado com eles”, ironizou.

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Por fim, Robinho expressou o desejo de protestar publicamente contra a Globo, em campo. “O bem sempre vence e a verdade vai aparecer. Esses caras são pessoas usadas pelo demônio, gente como é a TV Globo, é uma emissora do demônio. É só você ver as novelas, as programações… Então, estou em paz. Que se cumpra o propósito de Deus na minha vida. Vou meter gol neles. Vou meter a camisa quando eu meter gol: ‘Globo lixo. Bolsonaro tem razão’”, declarou.

Ouça aos áudios aqui:

Entenda o caso

A reportagem do “Globo Esporte” revelou nesta sexta-feira (16) trechos da sentença judicial e da transcrição dos grampos que levaram Robinho a ser condenado em primeira instância por violência sexual de grupo na Itália, em novembro de 2017. Nas conversas, o jogador admitiu que teve relações sexuais com a vítima e que ela estava “completamente bêbada” a ponto de “não saber nem o que aconteceu“.

Robinho foi condenado por violência sexual em 2017 (Foto: Reprodução/Santos TV)

O caso ocorreu em uma boate de Milão chamada ‘Sio Café’ na madrugada do dia 22 de janeiro de 2013. Além de Robinho, outros cinco brasileiros teriam participado do ato – classificado pela Procuradoria de Milão como “violência sexual” – contra uma jovem de origem albanesa. No entanto, apenas o jogador e Ricardo Falco foram condenados a nove anos de prisão.

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Os outros quatro acusados deixaram a Itália no decorrer da investigação e, por isso, estão sendo processados num procedimento à parte, explicou o advogado da vítima, Jacopo Gnocchi, ao ‘GE’. Robinho e Ricardo foram condenados com base no artigo “609 bis” do código penal italiano, que fala da participação de duas ou mais pessoas reunidas para ato de violência sexual – forçando alguém a manter relações sexuais por sua condição de inferioridade “física ou psíquica”.

A decisão do Tribunal de Milão foi contestada pelos condenados. Os advogados dos dois apresentaram recurso e a Corte de Apelo de Milão iniciará a análise do processo, em segunda instância, no dia 10 de dezembro.

Confira a íntegra do caso, a transcrição das conversas, os relatos revoltantes e a série de manifestações contra a contratação do jogador, clicando aqui.