Homenageado em festa pré-Grammy, Sean ‘Diddy’ Combs defende artistas negros em discurso e dá ultimato para premiação: “Vocês têm 365 dias para arrumar essa m*rda”

Sean “Diddy” Combs foi homenageado na festa anual pré-Grammy de Clive Davis e não economizou assuntos em seus 50 minutos de discurso. Ao receber seu prêmio, Sean falou sobre o “elefante na sala”, a série de acusações feitas pela ex-presidente da premiação, Deborah Dugan, e foi direto ao ponto ao mencionar como o Grammy excluiu a música negra ao longo dos anos.

A alfinetada foi trazida de forma bem respeitosa por Diddy ao final de seu agradecimento. “Eu tenho que ser honesto. Nos últimos dias eu tenho vivido um conflito. Eu estou sendo honrado pela indústria que eu amo, essa família que eu amo, mas há um elefante na sala e não é apenas sobre o Grammy”, afirmou ele. “Há discriminação e injustiça em todo lugar em uma frequência alta. Mas há algo que eu preciso dizer ao Grammy e eu digo isso com amor porque vocês realmente precisam saber disso.”

Em seguida, o artista mencionou como os artistas negros se sentem ao serem esnobados pela Recording Academy. “Todo ano, vocês estão nos matando, cara. Eu estou falando da dor. Eu estou falando por todos os artistas aqui, os produtores e executivos — a quantidade de tempo que gastamos para fazer esses álbuns, para colocar nosso coração nisso… nas ótimas palavras de Erykah Badu, “nós somos artistas e nós somos sensíveis em relação à nossa m*rda. Nós somos apaixonados”, pontuou.

“Para a maioria de nós, isso é tudo que temos, é nossa única esperança. Verdade seja dita, o hip hop nunca foi respeitado pelo Grammy. A música negra nunca foi respeitada pelo Grammy do jeito que deveria”, declarou ele, sem papas na língua. “Então, neste momento, na atual situação, não é uma revelação.”

Em seu discurso, Diddy disse que a música negra nunca foi respeitada como deveria (Foto: Getty)

Em seguida, Combs reconheceu que a discriminação não é exclusiva à música. “Está acontecendo no cinema, nos esportes, ao redor do mundo. E, por anos, nós permitimos que as instituições, que nunca tiveram nosso melhor interesse no coração, nos julguem. E isso para agora. Vocês têm 365 dias para arrumar essa m*rda. Nós precisamos que os artistas retomem o controle. Nós precisamos de transparência. Nós precisamos de diversidade. Essa é a sala que tem o poder de fazer a mudança. Precisa ser feito. Eles têm que fazer as mudanças por nós. Eles são uma organização sem fins lucrativos que deveria proteger a saúde da comunidade musical. É isso que diz no estatuto de sua missão. Essa é a verdade. Eles trabalham para nós”, apontou o rapper.

Com 47 anos de carreira, ele ainda falou sobre a importância de ser a voz que vai denunciar essas injustiças. “Meu objetivo costumava ser fazer hits, mas agora é garantir que a cultura avance, minha cultura. Nossa cultura. O futuro negro. E, sendo digno de receber um prêmio de ícone, eu preciso usar minhas experiência para ajudar a fazer a diferença. E para resumir, vocês têm 365 dias”, avisou.

O músico pontuou que sempre vai defender a cultura negra (Foto: Getty)

Por fim, Diddy resolveu homenagear artistas negros que não tiveram trabalhos icônicos reconhecidos pelo Grammy. “Eu quero dedicar esse prêmio para Michael Jackson por ‘Off the Wall,’ Prince por ‘1999,’ Beyoncé por ‘Lemonade,’ Missy Elliott por ‘Da Real World,’ Snoop Dogg por ‘Doggy Style,’ Kanye West for ‘Graduation’ e Nas por ‘Illmatic'”, declarou, terminando o discurso com aplausos de pé da plateia, que incluía Beyoncé e Jay-Z.

No meio de sua fala, o músico já tinha aproveitado para reconhecer a importância da Queen B em sua vida. “Beyoncé, eu a chamo de Rei Beyoncé. Todo mundo sabe que ela é tipo minha super heroína, bem ali. Quando eu a vejo eu me pergunto se estou trabalhando suficiente? Não, não. Ela me impulsiona e é uma irmã para mim. Obrigada”, disse ele.

Bey estava em uma das primeiras mesas da plateia (Foto: Getty)

Discurso poderoso! Será que trará mudanças à premiação?