A Polícia Civil de Santa Catarina revelou que planeja um esquema especial de segurança para receber no aeroporto dois dos adolescentes investigados pela morte do cão Orelha. Os menores estão em viagem aos Estados Unidos, programada antes do ocorrido em Praia Brava, Florianópolis.
As informações foram divulgadas nesta terça-feira (27), pelo delegado-geral de Polícia de Santa Catarina, Ulisses Gabriel. Em comunicado, divulgado pelo UOL, ele apontou que teme que manifestações marcadas para o local coloquem em risco a segurança de outros 113 adolescentes que viajam com a dupla.
Segundo Gabriel, os menores investigados estavam em uma excursão programada para a Disney com outras pessoas. “Estão convocando manifestação para a questão do aeroporto. Isso nos preocupa. São 115 jovens que estarão lá e 113 não têm relação com o caso. Nos preocupa muito a situação de que alguém possa ser machucado por uma situação que envolve duas pessoas”, declarou.
A expectativa é de que o esquema conte com a ajuda da Polícia Militar e com a segurança do aeroporto. A data de chegada dos adolescente e o local onde eles pousarão não foram divulgados pelas autoridades.
Dois inquéritos diferentes foram abertos: um para investigar a agressão a Orelha e outro para apurar a coação de testemunhas. De acordo com a Polícia Civil, o segundo caso foi encerrado ontem, após três adultos serem indiciados. Tratam-se de dois empresários e um advogado, todos parentes dos adolescentes.
Tendo em vista que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê sigilo absoluto nos procedimentos envolvendo menores de 18 anos, as identidades dos investigados foram preservadas. Por ora, os nomes dos adultos também seguem em sigilo. Os outros dois jovens suspeitos pela morte de Orelha, que permaneceram em Florianópolis, foram alvos de uma operação nesta segunda-feira (26).

A polícia já analisou mais de mil horas de gravações, de 14 câmeras diferentes, para investigar o caso. A corporação salientou que, ao contrário do que foi divulgado nas redes sociais, nenhum vídeo gravou o momento do assassinato do animal. Conforme o delegado Pedro Mendes, diretor de polícia da Grande Florianópolis, inquéritos policiais foram abertos para apurar as exposições ilegais dos quatro menores investigados pela agressão.
Caso o envolvimento dos menores com a morte de Orelha seja comprovado, eles responderão por ato infracional. Somente no inquérito que apura o crime de coação, 22 pessoas foram ouvidas. A Justiça não autorizou a apreensão dos aparelhos eletrônicos dos adultos.
Entretanto, este não foi o primeiro ato cometido por eles. Ulisses relatou que o mesmo grupo também é suspeito de tentar afogar outro cachorro, chamado Caramelo. Segundo o delegado, a tentativa aconteceu no mesmo dia da morte de Orelha. No entanto, o cão conseguiu escapar e sobreviveu.
Eles ainda são investigados por outras ações análogas a injúria contra trabalhadores da área. “Tem outros atos infracionais de ofensas a profissionais como porteiros, rondas e pessoas que trabalham na região. Teve situações envolvendo furtos e depredações de patrimônios. São vários atos conexos”, afirmou a delegada Mardjoli Adorian Valcareggi.
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