A adolescente que denuncia ter sofrido um estupro coletivo aos 14 anos afirmou, segundo a TV Globo, que não procurou as autoridades na época por ter sido filmada e ameaçada. A jovem, hoje com 17, foi a segunda a fazer uma denúncia contra integrantes do grupo investigado pelo mesmo crime que aconteceu em Copacabana, no Rio de Janeiro.
O caso é tratado como nova denúncia contra dois dos cinco acusados de estuprar uma jovem de 17 anos em 31 de janeiro. São eles: Mattheus Verissimo Zoel Martins, de 19 anos, e o menor de idade, cujo nome não foi revelado. Em depoimento à polícia, obtido pela emissora, a vítima revelou que foi gravada durante o abuso e ameaçada com a divulgação do vídeo. O medo de exposição impediu a denúncia por quase três anos.
Para a repórter Priscilla Moraes, da GloboNews, a mãe da adolescente contou que soube do estupro após a filha relatá-lo durante atendimento psicológico e da divulgação do caso de Copacabana. “Ela falou: ‘Mãe, eu também fui vítima dele há três anos. Hoje, minha filha está com 17. Em agosto de 2023, minha filha tinha 14 anos“, desabafou.
Conforme o relato da mãe, o único menor de idade, investigado no caso mais recente, já se relacionava com a filha. “Ela falou que eles tinham feito a mesma coisa com ela, que tinham batido nela“, lamentou.

O crime aconteceu em agosto de 2023. A jovem relatou que foi convidada a ir até a casa de Mattheus Verissimo Zoel Martins, de 19 anos. Outros dois menores de idade participaram da violência sexual. A adolescente disse que foi levada à residência através de um mototáxi, e coagida a entrar no quarto com o ex-companheiro.
O modus operandi foi o mesmo do caso que repercutiu nesta semana. “No dia 22 de agosto de 2023, ele a chamou para ir para casa, para encontrar com ela. Ela falou que não tinha dinheiro. Falou que não tinha como ir. Eu estava viajando… Ele pagou a moto para ela. Ela foi. Chegando lá, tinha mais dois homens dentro da casa“, contou a mãe.
Assista:
Vítima revela por que não denunciou estupro coletivo aos 14 anos pic.twitter.com/nREy8OOigE
— WWLBD ✌🏻 (@whatwouldlbdo) March 4, 2026
Desde o início das investigações, o delegado Ângelo Lages, da 12ª DP (Copacabana), vinha pedindo que possíveis outras vítimas dos cinco suspeitos procurassem uma delegacia para formalizar denúncia. Segundo a Polícia Civil, foi exatamente o que ocorreu com o surgimento do novo relato.
Terceira denúncia
Nesta terça-feira (3), uma terceira jovem procurou as autoridades e afirmou ter sido vítima de estupro por Vitor Hugo Oliveira Simonin. O rapaz, de 18 anos, é filho de José Carlos Costa Simonin, que exercia função de subsecretário estadual de Governança, Compliance e Gestão Administrativa. Após a repercussão, o governador Cláudio Castro o exonerou do cargo.
A terceira denunciante prestou depoimento na 12ª DP (Copacabana), onde chegou acompanhada da mãe. Segundo ela, o crime ocorreu em outubro de 2025, em uma festa de alunos. “O fato foi denunciado no sábado, quando a imprensa chegou. Já apareceram duas novas vítimas desse grupo. A investigação tá muito preliminar, muito no começo“, explicou o delegado.
Todos os envolvidos na primeira denúncia já estão presos. Mattheus Verissimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho, ambos de 19 anos, se entregaram ontem. Vitor Hugo Oliveira Simonin e Bruno Felipe dos Santos Allegretti, de 18, se apresentaram nesta quarta-feira (4). Já o menor de idade também é investigado por ato infracional análogo ao crime.
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