Estupro coletivo no Rio: Avó relata situação crítica da adolescente e ameaça de suspeito após o crime: ‘Fiquei apavorada’

Família da adolescente denunciou o crime cerca de uma hora depois para a polícia tentar o flagrante, mas os agentes não tiveram êxito

A avó e o irmão da adolescente de 17 anos, vítima de um estupro coletivo em Copacabana, se pronunciaram ao "Fantástico". Eles informaram como souberam do caso e o desespero da jovem. A família também descreveu os hematomas no corpo dela e uma ameaça do menor envolvido no caso.

A avó e o irmão da adolescente de 17 anos, vítima de um estupro coletivo em Copacabana, no Rio de Janeiro, se pronunciaram sobre o caso em entrevista ao “Fantástico“, neste domingo (8). O irmão da jovem foi o primeiro a ser contatado por ela, e relatou o seu desespero logo após a violação. Já a avó materna, que tem a guarda da menina, descreveu o impacto de ouvi-la, bem como os hematomas que ficaram pelo corpo dela.

A identidade da família foi mantida em sigilo. “Ela me mandou mensagem, falou: ‘Preciso de ajuda agora, é sério’. Ela falou: ‘Acho que fui estuprada’. E ali, quando ela contou, ela desabou”, narrou o irmão da adolescente. Em seguida, ele disse que expôs a situação para a avó, também identificada como mãe da jovem na reportagem.

A senhora também detém a guarda da irmã da jovem, de 12 anos. Ao dominical, ela disse que soube que a violência foi “ainda mais brutal” do que ela imaginava. “Eu fiquei apavorada, porque eu achei que fosse uma pessoa. Eu perguntava, mas ela não conseguia falar. Mas ela me confirmou com a cabeça e voltou a me pedir desculpas, como se eu fosse julgá-la”, recordou, aos prantos.

A avó também detalhou os machucados pelo corpo da neta. “Ela me abraçou e falou: ‘Mãe, desculpa’. Eu falei: ‘Desculpa de quê? Você não teve culpa’. [Os hematomas] não era um roxo, era um roxo preto, em várias partes. Fiquei apavorada”, confessou.

Os quatro investigados do caso estão presos, enquanto o menor foi levado ao Degase (Foto: Reprodução/TV Globo)

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Em seguida, a senhora se desesperou ao ouvir da própria adolescente o que havia acontecido. “Ela pediu para ir embora. Ela não queria ficar mais. Ela pediu para parar dezenas de vezes. E quando ela pedia para parar, foi aí que ela apanhou. Eles subiram em cima da cama e chutaram, chutaram ela até ela cair da cama. E continuaram chutando a minha filha”, lamentou.

A família, então, denunciou o estupro na delegacia. “Eu falei: ‘Doutor, tem menos de uma hora. De repente, eles ainda estão lá [no apartamento], contou a avó. Policiais foram até o imóvel na Rua Ministro Viveiros de Castro para tentar prender os criminosos em flagrante, mas eles não estavam mais no local.

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O “Fantástico” teve acesso a documentos da investigação, que incluem o depoimento da adolescente. Segundo a jovem, ela e o menor estavam namorando no quarto quando os quatro maiores de idade invadiram o cômodo. “Ele começou a falar coisas para lhe convencer a ter relações com os amigos. A declarante negou o tempo todo. [Os suspeitos] lhe trancaram dentro do quarto. A declarante tentou sair da situação, mas não conseguiu. Mediante cárcere privado, permitir que prosseguissem nas agressões sexuais e físicas, mediante socos, tapas e puxões de cabelo”, detalhou o arquivo.

O abuso teria durado cerca de uma hora. Após o crime, câmeras do prédio registraram o menor e a vítima deixando o apartamento. Já no elevador, os suspeitos aparecem celebrando. “A mãe de alguém teve que chorar porque as nossas mães hoje…“, diz o menor para os outros suspeitos, numa gravação. O delegado responsável pelo caso, Angelo Lages, afirmou que as lesões confirmadas pelo IML Instituto Médico Legal) são compatíveis com o depoimento da vítima. “Ela teve lesões nas partes íntimas, nas costas, no glúteo. E, inclusive, havia a suspeita de uma fratura na costela”, explicou a autoridade.

 

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Após o estupro, o menor continuou frequentando a escola e, conforme a família da vítima, passou a rondar a irmã mais nova dela. “Ele estava rondando ela, mostrando para a minha filha de 17 anos que se ela abrisse o bico, a minha pequena estava na mira”, expôs a avó. Para a polícia, o menor era o mentor do grupo, uma vez que era quem detinha a confiança das vítimas.

Em nota, o Colégio Pedro II, onde o grupo estudava, declarou que todas as denúncias são acolhidas e medidas cabíveis são tomadas. “Sobre a violência ocorrida em [31 de] janeiro de 2026, o Campus Humaitá II instaurou um Processo Disciplinar Discente, cujo trâmite poderá culminar no desligamento compulsório dos envolvidos”, salientou a instituição.

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Os quatro maiores de idade se entregaram na semana passada, e foram encaminhados ao sistema penitenciário do Rio. Já o menor de 17 anos foi apreendido e levado ao Degase (Departamento Geral de Ações Socioeducativas). As defesas dos maiores negaram as acusações e argumentaram que irão provar a inocência deles no decorrer do processo.

O representante do menor, por sua vez, declarou que o “jovem se apresentou espontaneamente às autoridades após a ciência da decretação de sua internação provisória, demonstrando sua total disposição em colaborar com a Justiça para esclarecimento da verdade”. Bruno Felipe dos Santos Allegretti e Vitor Hugo Oliveira Simonin, ambos de 18 anos, e Mattheus Verissimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho, de 19, foram indiciados pelo crime de estupro com concurso de pessoas.

Ao final da reportagem, a avó da adolescente desabafou em meio às lágrimas: “Depois dela quase desistir da vida, com todo o apoio que teve essa repercussão, principalmente de mulheres, ela conseguiu tentar dar uma chance para ela. Se ela disser: ‘Chega, eu não quero mais!’… Na hora de dizer não é não. Só respeita isso”.

Assista à íntegra:

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