Nora de Flordelis revela conversa que a faz ter certeza sobre culpa de pastora em crime e alfineta sogra sobre suposto sumiço de R$6 milhões da igreja: “Amnésia”

Nora de Flordelis, Luana Rangel Pimenta concedeu uma entrevista ao jornal ‘Extra’, publicada nesta sexta-feira (04), e revelou a conversa que a fez ter certeza sobre a culpa da pastora no assassinato de Anderson do Carmo. Na reportagem, a esposa de Wagner Pimenta, conhecido como Misael, vereador e quinto filho adotivo do casal, ainda alfinetou a sogra sobre o suposto sumiço de R$6 milhões da igreja dela.

De acordo com Luana, ela e o marido romperam a relação com a deputada federal um mês após a morte do pastor. Ambos tiveram um papel importante para que a polícia concluísse que a mandante do crime foi Flordelis. “Não havia a menor dúvida de nossa parte. Só aguardamos que a Justiça concluísse o que já sabíamos antes mesmo do crime”, garantiu ela.

Por “antes mesmo do crime”, Luana recordou-se de um episódio ocorrido em março do ano passado, três meses antes da morte do pastor. Segundo a mulher, o sogro procurou o filho e ela para mostrar uma mensagem que havia visto em um tablet. “Ele mostrou para a gente o que estava escrito, era um pedido de morte escrito por alguém da família. Nós desconfiamos e falamos que poderia ser a Flor. Mas ele não acreditava nisso, que ela fosse capaz”, revelou.

Continua depois da Publicidade

A esposa de Misael disse que eles chegaram a essa suposição devido às conversas que ouviram na casa da família. “As filhas (Simone e Marzy, presas pelo crime) faziam a cabeça dela. Diziam para a Flor que era ela a dona do poder, que ela era a deputada e que não deveria deixar que Anderson tomasse conta de tudo como fazia. E a Flordelis ficava sempre quieta em vez de defender o marido. Eu tenho para mim que fizeram a cabeça dela”, refletiu.

View this post on Instagram

Alegria nos olhos (e no sorriso)!! 👏🏻👏🏻😊

A post shared by Luana Rangel (@luanarangeloficial) on

Outro motivo que a levou a essa conclusão foi a relação que Flordelis e Anderson mantinham. “Não havia espaço para traição da parte dele ou dela. Eles viviam grudados. E meu sogro era louco pela mulher. Ele faria qualquer coisa pela Flordelis. Todos viam isso”, analisou. A opinião de Luana neste assunto, no entanto, vai de encontro a outros depoimentos que apontaram traições tanto da parte da parlamentar, como da parte do pastor.

Após a morte de Anderson, a relação do casal com a família piorou e os dois anunciaram que sairiam da congregação. “Depois disso, umas 400 pessoas saíram também”, relembrou. Foi quando Flordelis apareceu na casa do filho, em São Gonçalo, região metropolitana do Rio. Além de Luana e Misael, lá morava também outro filho adotivo de Flordelis e Anderson: Daniel, que foi viver com o irmão por também acreditar que a mãe estava por trás do assassinato.

Continua depois da Publicidade

Foi essa conversa que fez Luana ter certeza do envolvimento da sogra no assassinato do marido. “Ela ficou mais de uma hora no quarto com ele, de portas trancadas, tentando fazer a cabeça dele para que acreditasse nela. Ficamos apreensivos. Depois, o Daniel nos contou que Flor disse que Anderson a controlava e a traía. E o filho disse que a mãe, então, deveria ter se divorciado e não o matado. Ela saiu do quarto e falou que entendia que estávamos abalados e nos pediu que guardássemos nosso luto para depois de um evento anual da igreja, que seria em setembro. Depois disso, não dava para crer que ela não estivesse envolvida. Como você pede a uma pessoa que guarde seu luto durante três meses como se nada tivesse acontecido?”, questionou-se a mulher.

Quando ainda trabalhava no Ministério Flordelis, Luana também era responsável pela gerência e contabilidade. Por isso, ela achou estranho a pastora dizer que houve um sumiço do dinheiro, algo em torno de R$ 6 milhões, e que esse poderia ter sido motivo para que alguém cometesse o crime. “Acho engraçado porque ela recebia todo mês um relatório detalhado de tudo. O pastor fazia questão de conferir. A Flordelis deve estar com amnésia”, alfinetou.

Após depor contra a parlamentar na polícia, a nora revelou que foi exonerada do gabinete onde trabalhava e, desde então, se preocupa com a segurança de sua família – ela é mãe de um menininho de quase dois anos. “Fomos ameaçados, tentaram nos comprar, hostilizados por defensores dela no Instagram, mas não desistimos. Medo eu tenho. Não vou mentir. Falo com meu marido que ele precisa de um carro blindado. Mas não temos condições para isso agora. É contar com Deus e a justiça dos homens”, declarou.

Continua depois da Publicidade

Poucas horas após a entrevista com o ‘Extra’ entrar no ar, Luana deu a entender através das redes sociais que havia voltado a receber ameaças da sogra. “É sério que vai continuar a tentar nos intimidar? Não desiste, né!”, publicou no Instagram Stories.

Publicação de Luana nas redes sociais (Foto: Reprodução/Instagram)

Entenda o Caso

Um ano e dois meses após a morte do pastor Anderson do Carmo, as investigações concluíram que a viúva dele, a deputada federal Flordelis, foi a mandante do assassinato. Na segunda-feira (24), equipes da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá (DHNSGI) e do Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro cumpriram 11 mandados de prisão e outros de busca e apreensão contra a deputada, filhos e neta do casal e outros familiares.

Segundo a denúncia, Flordelis planejou o homicídio e foi responsável por arregimentar e convencer o executor direto e demais acusados a participarem do crime. A parlamentar também financiou a compra da arma e avisou da chegada da vítima no local em que foi executada. Ela foi indiciada pelo crime de homicídio triplamente qualificado, tentativa de homicídio, falsidade ideológica, uso de documento falso e organização criminosa majorada.

Continua depois da Publicidade

No entanto, como tem imunidade parlamentar, a pastora não será presa agora. O processo de cassação de seu cargo já está em andamento. Na próxima semana, o planejamento do presidente da câmara, Rodrigo Maia, é reunir os líderes partidários e a mesa diretora para definir o que fazer. Após o Conselho de Ética analisar a situação, o caso vai para votação no Plenário da Câmara e, então, com a maioria de votos, 257, ela pode ser cassada.

Deputada Flordelis foi acusada de ser a mandante do assassinato de seu marido, o pastor Anderson do Carmo Souza. (Foto: Reprodução)

Por enquanto, outras pessoas já foram levadas pela polícia: Marzy Teixeira da Silva, filha adotiva do casal, Simone dos Santos Rodrigues, filha biológica, André Luiz de Oliveira, filho adotivo, Carlos Ubiraci Francisco Silva, filho adotivo, Adriano dos Santos, filho biológico, Rayane dos Santos Oliveira, neta, o ex-PM Marcos Siqueira e a esposa dele, Andreia Santos Maia. Saiba todos os detalhes, clicando aqui.