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Pastor que “orou pela morte” de Paulo Gustavo é condenado, e mãe do ator faz desabafo

Em audiência, o juiz afirmou que a conduta do pastor José Olímpio foi motivada pela orientação sexual de Paulo e rebateu a defesa do religioso

Nesta semana, o Tribunal de Justiça de Alagoas anunciou a condenação do pastor José Olímpio, da igreja Assembleia de Deus, por crime de homofobia contra Paulo Gustavo. No ano passado, em publicação no Instagram, o religioso afirmou que estava “orando para que o humorista fosse levado“, enquanto Paulo estava internado em estado grave, em decorrência da Covid-19.

Segundo o G1, o juiz Ygor Vieira de Figueirêdo apontou que a conduta do pastor foi motivada pela orientação sexual do ator. “No caso em apreço, diante das evidências existentes nos autos, da foto escolhida para a postagem e do reconhecimento nacional do qual gozava o ator, inclusive por seu engajamento na pauta da comunidade LGBQTIA+, o tom discriminatório é cristalino, motivo pelo qual resta demonstrada que a conduta preconceituosa foi feita em virtude da orientação sexual do senhor Paulo Gustavo”, disse o magistrado.

Durante a audiência, a defesa do pastor justificou que tudo não passou de um “mal-entendido”: “Ao dizer que ora para que ‘o dono dele o leve para junto de si’, o Sr. José Olímpio fez referência ao que difunde diuturnamente em suas pregações. Qual seja, que para um indivíduo ser salvo, deve buscar estar ao lado do ‘Pai’ (Deus), seguindo todos os dogmas e o texto Bíblico. O desejo do Sr. José Olímpio era o de trazer o ator Paulo Gustavo para a Igreja, jamais que ele morresse em decorrência da Covid-19”.

Paulo Gustavo foi vítima da Covid-19. (Foto: Globo/João Miguel Júnior)

A versão, porém, foi prontamente rebatida pelo magistrado responsável pelo caso. “Primeiro porque se o réu queria que uma entidade sobrenatural levasse Paulo Gustavo para junto dele era porque, evidentemente, ele desejava sua morte” afirmou.

“Segundo, porque, conforme a crença que o réu manifestou ter, ele entende que Deus é o dono de todos os seres humanos, razão pela qual, caso ele quisesse se referir que o ator deveria ficar na companhia do mesmo Deus na qual o acusado acredita, ele teria escrito ‘para que o nosso Dono o leve’ e não para que ‘o dono dele o leve’, expressão que traz a clara distinção de que, sem dúvida, o réu destacou que o Ser que pertence o ator era diferente do Deus a que ele pertencia”, continuou Ygor Vieira.

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A pena de José Olímpio foram 2 anos e 9 meses de prisão em regime aberto. No entanto, a sentença foi convertida em prestação de serviços à comunidade: “O pastor José Olímpio prestará serviço à comunidade pelo tempo da pena, durante seis horas semanais e pagará 30 salários-mínimos, que serão revertidos para grupo ou organização não governamental de Alagoas com atuação em favor da comunidade LBGTQIA+”.

Após a divulgação da condenação, Déa Lúcia, mãe de Paulo Gustavo, se manifestou sobre a decisão da Justiça alagoana. “Ele orou pela morte de meu filho e eu rezo para que ele viva bastante, para se arrepender de seus pecados”, desabafou ela.

Relembre o caso

Em 15 de abril de 2021, José Olímpio compartilhou uma foto de Paulo Gustavo em seu Instagram – numa cena do personagem Aníbal, no filme “Minha Vida em Marte”. “Esse é o ator Paulo Gustavo que alguns estão pedindo oração e reza. E você, vai orar ou rezar? Eu oro para que o dono dele o leve para junto de si”, escreveu o pastor na rede social. Confira:

Em sua publicação, o pastor José Olímpio afirmou que estava orando para que Paulo Gustavo ‘fosse levado’. (Foto: Reprodução/Instagram)

Com a repercussão negativa, o religioso apagou o post. Dias depois, ele se desculpou pela atitude e entregou o cargo na Assembleia de Deus.

No mesmo mês, o Ministério Público de Alagoas (MPAL) anunciou que iria apurar crime de homofobia. “Verifica-se clara referência de que estaria, o líder religioso, orando pela morte do ator e as razões são justificadas pela escolha da imagem, representativa da defesa do ator pelo casamento entre pessoas do mesmo sexo”, explicou o promotor de Justiça Lucas Sachsida na ocasião.