Anitta revela ao Fantástico que começou a sofrer com endometriose durante gravação de clipe definidor da carreira: ‘Fui parar no hospital’; assista

Na entrevista ao “Fantástico”, a cantora ainda explicou por que resolveu falar sobre o assunto publicamente

Anitta fala sobre endometriose

Após dividir com seus seguidores um recente diagnóstico de endometriose, Anitta deu mais detalhes sobre a doença neste domingo (10). Em entrevista ao “Fantástico“, a cantora contou quando começou a sentir dores fortes, apontou a importância de um diagnóstico rápido e certeiro, e explicou por que trouxe o assunto à tona.

Ela, que está em turnê pela Europa, relatou a saga e os perrengues que viveu até descobrir a doença. “A primeira vez que eu tive essa crise na minha vida foi gravando o clipe do ‘Show das Poderosas’. Foi a primeira vez que eu senti essa dor na vida. Parecia que eu ia morrer. E no making of, eu meio que paro, respiro, penso: ‘Meu Deus, eu vou conseguir gravar, dançar?’. E aí eu fui. Gravei até o fim, mas logo depois da gravação do clipe eu fui para o hospital, com dor”, disse.

Após quase 10 anos, Anitta fez uma ressonância e descobriu que tem endometriose, o que causava as tais dores, principalmente após as relações sexuais: “Pensavam que era falta de higiene, aí eu virei uma paranóica da higiene. E não melhorava. Já cheguei a tomar antibiótico por 6 meses sem parar. Já tomei tudo quanto foi remédio, já fiz tudo quanto foi coisa que as pessoas falavam, e nada”.

“Quando meu pai foi internado, nessa questão do câncer de pulmão removido, casualmente a doutora [Ludhmila Hajjar] era muito minha amiga. Aí a gente estava lá e ela falou assim pra mim: ‘Tira a roupa agora que nós vamos fazer uma ressonância’. Me botou na ressonância e viu a endometriose lá. No meu caso, antes da minha menstruação vir eu sinto cólica e sinto uma cistite de repetição que não dá nem pra andar. Cistite de repetição é uma dor como se fosse infecção urinária, mas não tem bactéria”, continuou.

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A cantora vai precisar passar por uma cirurgia, um procedimento que hoje é considerado minimamente invasivo. “Hoje é uma dor que parece que a minha vida vai acabar. Eu falei pra ele assim: ‘Doutor, tira tudo de dentro de mim’. É horrível, você não tem vontade de nada! Agora, pra eu estar conseguindo falar com você, eu tomei três remédios pra dor”, afirmou.

A endometriose é caracterizada pela presença de um tecido similar ao endométrio (que reveste o útero) fora do órgão, causando uma reação inflamatória crônica. Como resultado, há a formação de tecido cicatricial. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, mais de 190 milhões de mulheres sofrem com a enfermidade no mundo. Quando não tratada, a doença, que tem como sintomas desconforto e dor durante o período menstrual ou após as relações sexuais, pode causar a infertilidade.

Na reportagem, o ginecologista Marcos Tcherniakovsky ainda ressaltou que a doença é mais comum do que se pensa. “Estima-se que no Brasil tenhamos 7 a 8 milhões de mulheres com endometriose. Estamos falando de uma doença que acomete 10% de todas as mulheres que menstruam no mundo inteiro. Existe um dado do ministério da saúde do ano de 2021, cerca de 26 mil mulheres foram atendidas. Dentro dessas, 8 mil mulheres chegaram a realizar alguma intervenção cirúrgica”, disse.

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Para a nossa “Girl from Rio”, falar sobre o assunto publicamente é muito importante, já que sua voz tem alcance internacional. “É sempre uma culpa na gente, é sempre a gente está fazendo alguma coisa errada. Aí eu falei: ‘Vou falar isso publicamente, porque hoje tudo que eu falo tem um alcance muito grande’. Se eu puder de alguma maneira alcançar mulheres que estão na mesma situação que eu ou no início. E depois que falei veio um monte de gente, falar comigo. Então, a minha vontade era só de trazer uma melhoria para as mulheres no geral, entendeu? Mais informação para que as coisas mudem”, afirmou.