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Guarabyra desiste de participar de novo álbum de Sérgio Reis, após áudio vazado com ameaças ao STF: “Incompatível”

Após gravar um áudio com ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a favor do governo de Jair Bolsonaro, o cantor e ex-deputado Sérgio Reis está sofrendo consequências. O músico Gutemberg Guarabyra, da dupla Sá e Guarabyra, desistiu da participação que faria no próximo disco de Reis. Além disso, a jornalista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, revelou que o cantor entrou em depressão e está passando mal após a repercussão negativa de sua fala.

No áudio polêmico, Sérgio Reis afirmou que caminhoneiros, financiados por produtores de soja, parariam o país em setembro até que o Senado afastasse os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) de seus cargos. “Se em 30 dias não tirarem os caras, nós vamos invadir, quebrar tudo e tirar os caras na marra. Pronto. É assim que vai ser. E a coisa tá séria. Nada nunca foi igual ao que vai acontecer. Se eles não atenderem ao nosso pedido, a cobra vai fumar”, disse.

Ainda na conversa, o artista falou sobre uma reunião que teve com o próprio presidente e com militares “do Exército, da Marinha e da Aeronáutica” em que informou o que faria. “Nós vamos parar 72 horas. Se não fizer nada, nas próximas 72 horas ninguém anda no país. Vai parar tudo. Não é só Brasília, é o país”, continuou.

Após as críticas negativas à fala do colega de profissão, Guarabyra informou em sua conta no Twitter, a decisão de não participar do novo trabalho do sertanejo. “De Sérgio Reis, sempre tive enorme admiração pelo trabalho, bom gosto, extrema musicalidade. No disco dele que irá sair, inclusive participaria em uma faixa, gravação dele de Sobradinho. Mas me considero incompatível com seu posicionamento atual e infelizmente declino o convite”, escreveu. O novo projeto deve ter participações de cantores como Paula Fernandes, Guilherme Arantes, Maria Rita e Zé Ramalho.

Em outro tuíte, o músico ironizou a atitude de Sérgio Reis: “Agenda: depois de salvar o país em setembro, em outubro Sérgio Reis será enviado ao Haiti. Resolvidas as coisas por lá, deverá seguir em novembro para o Afeganistão, caso a OTAN não tenha se mexido para estabilizar o país até lá”.

Lideranças dos caminhoneiros já desmentiram a fala do cantor e negaram qualquer intenção de greve. “Não usando o nome da categoria ele tem todo direito de se manifestar se ele for a favor do governo ou contra, mas usar o nome dos caminhoneiros para chamar o segmento não é legal”, disse Wallace Landim, presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), ao UOL.

O áudio de Sérgio Reis vem logo após os ataques de Jair Bolsonaro aos ministro do STF. Em uma publicação nas redes sociais neste sábado (14), ele afirmou que vai apresentar ao Senado um pedido para abertura de processos contra os magistrados. “De há muito, os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, extrapolam com atos os limites constitucionais. Na próxima semana, levarei ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, um pedido para que instaure um processo sobre ambos, de acordo com o art. 52 da Constituição Federal”, escreveu o presidente.

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Sérgio Reis estaria com depressão

Nesta segunda-feira (16), a esposa do cantor, Angela Bavini, disse para a colunista Monica Bergamo que o marido está deprimido, passando mal e com uma crise de diabetes após a repercussão. “Ele está muito triste e depressivo porque foi mal interpretado. Ele quer apenas ajudar a população. Está magoado demais. O Sérgio foi induzido por pessoas que dizem estar em um movimento tranquilo. No fim, todo mundo vaza [some], e sobra para ele, que é uma celebridade”, alegou.

Segundo ela, as críticas estariam fazendo com que ele “caísse na real” sobre o resultado de participar diretamente de movimentos políticos. “Ele falou no impulso, mas estava conversando com um amigo. A diabetes dele subiu que é uma barbaridade. O Sergio às vezes não tem noção do nome dele, do tamanho dele”, continuou Angela, afirmando que, por orientações médicas, o companheiro “não dará mais entrevistas nem falará com amigos, para evitar maiores aborrecimentos”.