Juliette Dublagem

Juliette desabafa e revela choque com exigência após convite para dublar um filme: “Gelei na hora”; assista

A campeã do “BBB 21” lamentou ataques xenofóbicos de haters e expôs uma situação que a deixou muito chateada, após o convite para dublar um filme

Juliette fez um desabafo na noite desta sexta-feira (10), lamentando alguns ataques com teor xenofóbico. Durante uma transmissão ao vivo, no Instagram, a cantora revelou que foi convidada para dublar um filme, no entanto, ficou em choque com um pedido que lhe fizeram quanto ao seu sotaque.

Quando recebeu a proposta, Juliette logo ficou feliz em poder trazer representatividade através de sua voz… Mas a história não teve o final desejado. “Eu fui convidada pra fazer a dublagem de um filme e eu fiquei muito feliz, emocionada. Pensei: ‘Caramba, um filme de projeção internacional, uma criança vai escutar um sotaque nordestino. Vou ficar muito feliz se eu puder contribuir com isso. Como vai ser bonito passar um filme e a criança identificar que o personagem fala igual’. Eu fui muito feliz, muito emocionada”, iniciou ela.

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O que a estrela não esperava é que o estúdio de dublagem exigiria que ela “neutralizasse” o sotaque paraibano. “Assim que eu entrei no estúdio, uma pessoa falou: ‘Só queria te pedir uma coisa, tem como neutralizar um pouquinho seu sotaque?’. Na hora, eu gelei. Mas eu tô calejada. É aquilo que a gente fala assim: ‘Isso aí, meu filho, eu engulo com farinha’. Porque eu já tô tão acostumada”, recordou Juliette.

Juliette Sotaque
Juliette abriu o jogo sobre como ficou chateada ao lhe pedirem que neutralizasse o sotaque. (Fotos: Reprodução/Instagram)

Mesmo abalada, a campeã do “BBB21” não aceitou alterar seu modo de falar para o filme e rebateu o pedido. “Eu respondi que não tem como neutralizar o meu sotaque, porque não existe sotaque neutro. Não há um padrão. Eu não sou uma atriz. Eu sou uma pessoa. Eu não preciso mudar quem eu sou. Eu tô na mídia pelo que eu sou, e não por um papel que eu faço. Eu falei: ‘Não, eu só estou aqui pelo meu sotaque. Eu só acho importante e necessário estar num filme, fazer uma dublagem, porque uma criança vai escutar e vai se sentir representada'”, continuou.

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Por fim, Juliette não foi a voz selecionada para a produção. “Eu não fui pro filme, não fui a voz escolhida. Depois escutei, o filme saiu e o filme era com o sotaque ‘padrão’. Só em falar, eu fico tremendo. Eu fiquei muito, muito triste. Meus amigos choraram, todo mundo ficou muito triste. Mas isso é uma das coisas. São coisas absurdas e que ninguém fala sobre isso. Se falar, ‘isso é se vitimizar’. Isso não é se vitimizar. Vitimizar é quando você usa disso com covardia. Isso eu não sou e todo mundo sabe”, completou ela. Assista:

Após o desabafo de Juliette, a tag “Sotaque neutro não existe” ficou entre os assuntos mais comentados do Twitter na madrugada deste sábado (11). Muitos internautas saíram em defesa da artista, criticando o pedido para “neutralizar” o sotaque. “Sotaque é uma marca regional única de comunicação. Pedir que alguém não fale da forma como aprendeu a se expressar porque o que foi academizado e dito correto é diferente, é inaceitável”, disse o gaúcho William Silva.

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“O sotaque funciona como uma bússola, um localizador. ‘Sotaque neutro’ não existe. O que existe é o falseamento das regionalidades e suas forças de identidades. Somos um país gigante, continental, como dizem. Que tal respeitar e valorizar isso? A diferença. É disso que falo”, opinou o psicólogo Rangel Junior.

Muitos lembraram de falas da cantora pernambucana Duda Beat, que já expôs que ainda sofre muitas barreiras no Sudeste por não abrir mão de suas raízes. “Por conta do meu sotaque, por exemplo, minhas canções não tocam em algumas rádios do Sudeste. Isso existe. Pelos ritmos que eu trago do Nordeste. Então, tudo é muito esforço, muito pensado, planejado… A gente pode abrir concessões pra algumas coisas, mas eu não vou abrir concessão do meu sotaque, dos meus ritmos”, revelou a cantora em entrevista à CNN Brasil. Veja mais reações abaixo:

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Por outro lado, houve artistas que se manifestaram sobre a necessidade de neutralizar sotaques para alguns trabalhos, como a paulistana Giovanna Chaves. “Isso é a coisa mais comum do mundo, temos até aula de prosódia para neutralizar sotaque quando começamos a preparação de um filme, por exemplo…”, apontou ela.

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A atriz citou como isso seria recorrente no campo das artes e da comunicação, com diversos sotaques e origens. “Neutralizamos sotaque para alcançar o país inteiro sem localização, ou seja, sem denunciar de onde somos… é super normal atores, jornalistas, dubladores, radialistas e mais neutralizarem”, completou a artista. Olha só:

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Giovanna Chaves se manifestou sobre as falas de Juliette quanto à dublagem. (Foto: Reprodução/Instagram)