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Mansão Playboy: Ex-coelhinhas revelam abusos de Hugh Hefner, comparam dinâmica na casa a “culto” e detalham “rituais sexuais” do magnata

Documentário sobre a vida do criador da revista Playboy expõe ambiente tóxico da mansão no qual ele vivia com suas “namoradas”

Foi ao ar, nesta segunda-feira (24), a série documental “Secrets of Playboy”, do canal A&E, que traz fortes depoimentos de mulheres sobre as obscuridades por trás da Mansão Playboy. Enquanto Hugh Hefner, fundador da revista, vendia uma ideia de liberdade sexual, as famosas “coelhinhas” eram submetidas a uma série de abusos nos bastidores. Dentre as confissões mais chocantes, está a de Holly Madison, ex-namorada do magnata, que chegou a comparar a dinâmica da casa a um culto.

“A razão pela qual eu acho que a mansão parecia um culto, olhando para trás, é porque estávamos todas meio que vítimas de gaslighting (forma de abuso psicológico na qual informações são distorcidas), mas ao mesmo tempo, esperavam que pensássemos em Hef como um cara muito bom. E aí você começava a pensar: ‘Ah, ele não é o que dizem na mídia — ele é apenas um homem legal'”, declarou ela, em um trecho.

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Parceira de Hugh entre 2001 e 2008, período no qual viveu na mansão, Madison também citou uma série de regras que as namoradas do empresário precisavam seguir. “Outra coisa que fazia parecer um culto, era a maneira como éramos isoladas do mundo. Havia um toque de recolher às 21h. Éramos encorajadas a não receber amigos na casa. Não tínhamos muita permissão para sair, a não ser que fosse pra passar épocas festivas com a família. Todo mundo pensa que o portão de metal da mansão foi feito para manter as pessoas fora, mas comecei a sentir que era para nos trancar”, pontuou.

Hefner ainda incentivou que a loira desistisse do trabalho que mantinha em paralelo. “Eu trabalhava uma vez por semana como garçonete, porque queria uma segurança caso as coisas na Playboy não dessem certo. Ele disse que aquilo o deixava com ciúme e que gostaria que eu me demitisse. Foi aí que passamos a receber uma ‘recompensa’ de US$ 1.000 por semana”, lembrou Holly.

Miki Garcia, modelo e ex-playmate, acrescentou: “As mulheres eram preparadas e levadas a acreditar que faziam parte de uma família. Ele (Hefner) realmente acreditava que era dono dessas mulheres. Tivemos coelhinhas que tiveram overdose, que cometeram suicídio…”.

Rituais sexuais

Segundo Sandra Theodore, também ex-namorada de Hugh, esperava-se que todas as mulheres que moravam na Mansão Playboy fizessem sexo com o magnata. Ele, por sua vez, exigia sexo grupal cinco noites por semana. A ex-playmate afirmou ainda que Hef realizava semanalmente as chamadas “noites do porco”, nas quais contratava uma dúzia de profissionais do sexo “feias” para transar com os amigos dele.

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Em seu livro “Down the Rabbit Hole: Curious Adventures and Cautionary Tales of a Ex-Playboy Bunny”, Holly descreveu outra prática comum na mansão: coelhinhas tendo relações sexuais ao redor de Hugh, enquanto ele assistia pornô, fumava maconha e se masturbava. A modelo alegou que as playmates se revezavam para dar prazer a ele, mas “não havia nenhuma intimidade envolvida”.

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(Foto: Getty)

De acordo com a ex-playmate Carla Howe, não eram usados preservativos durante as orgias e nenhum teste para verificar doenças sexualmente transmissíveis era feito após. Kendra Wilkinson, por sua vez, relatou que o sexo era tão insuportável que não conseguia ficar sóbria em meio aos “rituais”: “Eu tinha que estar muito bêbada ou fumar muita maconha para sobreviver àquelas noites — não havia maneira de contornar aquilo“.

Abuso emocional

No documentário, Holly também afirmou que Hefner costumava criticar a aparência das namoradas, tornando-as inseguras. “Um dia, Hef me disse em voz baixa ‘nunca mais use batom vermelho’ e virou-se para a porta. Ele fez uma pausa e se virou para avaliar minha reação. Decidindo que não tinha feito dano suficiente, ele me deu um golpe final antes de sair da sala: ‘Você parece uma velha, dura e fácil'”, recordou.

Kendra também citou uma noite em que foi “humilhada” por ter ganhado peso. “Estávamos todos na limusine a caminho de uma sessão de autógrafos com Hef quando ele me puxou de lado e perguntou: ‘Está tudo bem?’. Eu disse: ‘Me sinto gorda, Hef. Todo mundo aqui é tão bonito. Isso está me deixando muito insegura’. Ele respondeu: ‘Bem, você parece ter engordado. Talvez você possa ir à academia’. Quando chegamos em casa, fui para o meu quarto e chorei até dormir”, contou.

À revista People, Madison disse que Hugh abusava da manipulação para garantir que todas as mulheres se sentissem nervosas e aflitas de perder seus lugares na mansão, colocando-as umas contra as outras. Em “Secrets of Playboy”, ela ainda acrescentou que as “coelhinhas” temiam enfrentar a ira do empresário, já que ele possuía fotos comprometedoras das mesmas, podendo divulgá-las ao público a qualquer momento.

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Mansão decadente

A famosa mansão da Playboy tinha 22 quartos, diversas piscinas e era um ícone de luxo e glamour em seu auge. No entanto, por dentro, a história era bem diferente. Segundo ex-coelhinhas, a propriedade tinha cocô de cachorro espalhado por todos os cantos, já que os cãezinhos de Holly nunca tinham sido treinados. Além disso, havia pornô em todos os cômodos; os tapetes eram sujos, e os quartos das coelhinhas bastante decadentes. “Apesar de nós darmos o nosso máximo para decorar nossos quartos e fazê-los parecerem acolhedores, os colchões das nossas camas eram nojentos — velhos, usados e cheios de manchas. Os lençóis também eram muito velhos”, descreveu Melissa Howe.

Playboy se manifesta

Antes do lançamento do documentário, a Playboy escreveu uma carta aberta condenando as ações “abomináveis” de Hefner e prometendo fazer “mudanças positivas”: “Em primeiro lugar, queremos dizer: confiamos e validamos as mulheres e suas histórias, e apoiamos fortemente as pessoas que se apresentaram para compartilhar suas experiências. Como uma marca com positividade sexual em sua essência, acreditamos que segurança, proteção e responsabilidade são primordiais, e qualquer coisa menos é imperdoável”. A marca prometeu ouvir as histórias das vítimas e “continuar a combater o assédio e a discriminação”, insistindo por fim que “a Playboy de hoje não é a Playboy de Hugh Hefner”, falecido em 2017, aos 91 anos.