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Evan Rachel Wood acusa Marilyn Manson de estupro em set de videoclipe: “Um completo caos”

Segundo a atriz, a cena de sexo simulado acabou se tornando real, sem o consentimento da moça

[Alerta de gatilho!] A atriz Evan Rachel Wood acusou seu ex-namorado, Marilyn Manson, de estuprá-la no set do videoclipe da canção “Heart-Shaped Glasses (When the Heart Guides the Hand)”, de 2007. No documentário “Phoenix Rising”, que aborda momentos da vida e da carreira da moça, ela explicou como o abuso aconteceu. O filme foi lançado no festival de cinema Sundance 2022, neste domingo (23).

Segundo Evan, que estrelou o clipe ao lado de Manson, durante uma “cena de sexo simulada” discutida anteriormente, Manson “começou a penetrá-la de verdade” quando as câmeras estavam rodando. “Eu nunca tinha concordado com isso“, afirmou. A atriz alegou, também, que lhe serviram absinto (bebida alcoólica) durante as gravações.

No vídeo, ela vive uma moça caracterizada como Lolita — famoso romance de 1955, em que um homem de meia-idade se torna obcecado por uma garotinha de 12 anos. De acordo com o relato da artista, ela mal estava consciente e não conseguiu se opor às supostas ações do músico.

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Wood continuou, dizendo: “Nunca estive em um set tão sem profissionalismo até aquele dia. Era um completo caos e eu não me sentia segura. Ninguém estava cuidando de mim“. A atriz pontuou que não sabia se defender ou dizer não “porque tinha sido condicionada ou treinada a nunca responder, a apenas aguentar firme“, e alegou que a equipe “estava muito desconfortável e ninguém sabia o que fazer“.

O incidente, relembrou Wood, a fez sentir “nojenta e como se tivesse feito algo vergonhoso“. “Fui coagida a um ato sexual comercial sob falsos pretextos. Foi quando o primeiro crime foi cometido contra mim e eu fui essencialmente estuprada na [frente da] câmera“, relatou ela.

Manson ainda teria passado instruções “muito claras” de como a moça tinha que descrever o vídeo para os jornalistas. “Eu deveria dizer para as pessoas que nós tivemos esse tempo incrível, romântico, mas nada disso era verdade“, alegou.

Eu tinha medo de fazer qualquer coisa que fosse chatear o Brian (Warner, nome de batismo de Manson) de alguma maneira. O vídeo foi apenas o começo da violência que continuaria aumentando ao longo do relacionamento“, desabafou a atriz. Wood conheceu Marilyn em 2006, quando ela tinha 18 anos e ele, 38.

Essa não é a primeira vez que a artista, hoje com 34 anos, acusa o ex de abuso sexual. Os dois estiveram em um relacionamento de 2007 até 2010. “Ele me abusou terrivelmente durante anos. Eu passei por uma lavagem cerebral e fui manipulada para ser submissa“, disse ela.

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Em fevereiro de 2021, ela citou pela primeira vez o nome de Manson como seu abusador. Desde 2018, a atriz já falava sobre os crimes dos quais teria sido vítima, mas nunca havia falado explicitamente o culpado. Depois de Evan vir a público, pelo menos outras doze mulheres divulgaram as próprias acusações contra Manson – quatro delas deram entrada em processos civis.

Em depoimentos compartilhados por Evan no Instagram, as vítimas do artista – Ashley Walters, Sarah McNeilly, Ashley Lindsay Morgan e Gabriella – detalharam experiências angustiantes que incluíam agressão sexual, abuso psicológico e físico, coerção, violência e intimidação. Todas elas afirmam que vinham sofrendo de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (PTSD, em inglês) após suas respectivas experiências com Manson.

Em um comunicado emitido por seu advogado, Marilyn Manson “nega veementemente toda e qualquer acusação de assédio ou abuso sexual de qualquer pessoa”. A declaração acusa as mulheres de “um ataque coordenado por antigas parceiras e associados do senhor Warner, que tornaram os detalhes mundanos da vida pessoal dele e de seus relacionamentos consensuais em uma arma”.

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Evan tinha apenas 18 anos quando começou a se relacionar com Mason. (Foto: Getty)

O astro seguiu descredibilizando os depoimentos em documentos à Justiça, nos quais afirmou que estariam tentando “desesperadamente fundir o imaginário e vocação artística de sua persona ‘rock de choque’ dos palcos, Marilyn Manson, com acusações fabricadas de abuso”. Mesmo assim, o músico teve seu contrato com sua gravadora, Loma Vista, interrompido.

Procurados pelo jornal The Guardian, os representantes de Mason não responderam. “Phoenix Rising” é um filme da diretora Amy Berg, com nomeação ao Oscar no currículo. A produção estreará na HBO dos Estados Unidos em março, dividido em duas partes.