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Paris Hilton detalha abusos sofridos em internato, incluindo passagem por “solitária”: “Chorava enquanto me seguravam”; assista

Empresária participa de série de manifestações buscando chamar a atenção de governantes norte-americanos

Em setembro de 2020, Paris Hilton chocou o mundo ao revelar os abusos que sofreu na infância no internato em que foi matriculada pelos pais. Além das entrevistas concedidas para a imprensa, a empresária gravou o documentário “This is Paris”, contando grande parte dos horrores que tinha vivido e dando início a um movimento para que outras vítimas denunciassem as instituições que as maltrataram. Em depoimento publicado no USA Today nesta quarta-feira (11), Hilton deu detalhes do que encarou no Provo Canyon School.

A DJ revelou que os pais decidiram interná-la porque a escola prometeu que seria possível curá-la do déficit de atenção, o que não é possível de ser feito, vale ressaltar. “Haviam sido enganados para acreditarem que meu transtorno seria curado com um ‘pulso firme'”, contou Paris sobre a fatídica noite em que foi levada de casa no meio da noite, com apenas 16 anos de idade. O desabafo foi motivado por conta da série de protestos que a empresária participará em Washington, capital dos Estados Unidos, contra a violência institucional infantil.

Apesar de se abrir sobre esse capítulo delicado na produção, Paris Hilton admitiu que não gostava de falar sobre o assunto, apontando que acionava diferentes “gatilhos” que desenvolveu por conta dos traumas. Hoje, ela encara os desabafos como uma missão para ajudar quem passou e pode estar passando pela mesma situação que ela. “Falar sobre isso exige toda a minha coragem, mas não posso ficar parada sabendo que crianças de até 8 anos estão sendo mantidas nesses programas para ‘adolescentes problemáticos’ por pais que não sabem o que se passa lá, e por órgãos do governo que não se importam”, argumentou.

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Hilton destacou que, não apenas ao entrar na instituição, mas várias outras vezes, ela foi submetida a exames ginecológicos feitos por homens. “Repetidamente, eu fui acordada por funcionários que colocavam uma lanterna no meu rosto, me tiravam da cama e me mandavam ficar quieta enquanto me levavam à ‘sala de exames'”, recordou. “Em privação de sono e dopada com remédios, eu não sabia o que estava acontecendo. Me obrigavam a deitar numa maca, abrir minhas pernas e passar por exames ginecológicos. Eu me lembro de chorar enquanto me seguravam. Eu dizia ‘não’ e perguntava o motivo, mas eles só diziam: ‘Cale a boca, fique quieta, pare de lutar ou você vai para a obs'”, explicou.

A ‘obs’ era um castigo similar às “solitárias” utilizadas nas penitenciárias, quando o detento é isolado completamente do convívio dos demais, sem ter noção sequer se é dia ou noite. “Era numa sala de concreto que não tinha nada além de um ralo e um rolo de papel higiênico. O quarto era gelado e eu estava quase nua. Eu fiquei andando até não conseguir mais ficar de pé. Depois me agachei no chão, fiquei me balançando e me obriguei a pensar na vida que eu criaria para mim mesma quando saísse de lá”, afirmou.

Para chamar a atenção dos governantes sobre essa questão, Paris Hilton fez um protesto impactante, sendo trancada numa cabine com porta de vidro, reproduzindo a agonia que ela vivia nessas solitárias. Nos registros, é possível ver a empresária chorando e com semblante bem fragilizado. “Essa experiência, assim como os abusos físicos, emocionais e sexuais pelos quais passei, levaram a anos de insônia causada pelo trauma, e um transtorno de estresse pós-traumático complexo do qual eu e inúmeros outros sobreviventes da violência institucional infantil sofremos há anos”, finalizou.

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Em entrevista exclusiva ao hugogloss.com, a DJ contou que esse momento de sua vida por pouco continuou guardado com ela. Não fazia parte dos seus planos incluir isso no documentário. “A premissa original do filme é que fosse apenas algo sobre a minha vida e a empresária que eu sou, o império que eu criei, e como tenho orgulho de tudo que já fiz na vida. E então, durante as filmagens, eu estava tão exausta e passando por tantas coisas que acabei me abrindo com a diretora sobre certas coisas que passei na minha vida, e experiências traumáticas. Mas eu nunca planejei contar isso a ninguém, foi algo que surgiu naturalmente durante as filmagens”, disse. Confira o bate-papo na íntegra, clicando aqui.