Netflix se pronuncia após acusações de “hipersexualização” de crianças em filme disponível na plataforma: “É uma crítica social sobre isso”; entenda o caso!

No final de agosto, a Netflix foi acusada de “sexualizar” crianças na divulgação do filme “Lindinhas” (“Cuties”, em inglês) em sua plataforma. Nesta quarta (09), o longa premiado no festival de Sundance estreou no streaming, rendendo uma série de críticas e ameaças de boicotes à empresa. Com a polêmica, a Netflix se manifestou e defendeu a permanência da produção no catálogo.

Nos últimos dias, a hashtag #CancelNetflix (“Cancelem a Netflix”) esteve entre os assuntos mais comentados do Twitter. Nas publicações, muitas pessoas criticaram a disponibilização do filme na plataforma. “Lindinhas” conta a história de Amy, uma garota muçulmana de 11 anos que começa a descobrir novos hobbies e realidades quando entra para o grupo de dança da sua escola. As garotas da equipe vão contra os valores rigorosos da mãe da protagonista. Nesse contexto, algumas cenas foram taxadas por parte do público como “hipersexualizadas”.

Confira o trailer:

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De acordo com a Variety, até mesmo petições online foram criadas para incentivar o cancelamento de assinaturas da plataforma. Mas o impacto maior foi sentido pelas redes sociais. “Eu tô enojada com esse filme, péssimo, história horrível. Crianças sofrem com isso diariamente pra vocês estarem romantizando!”, escreveu um perfil.

“Netflix colocando no catálogo um filme chamado “Cuties”. As crianças fazendo danças sensuais! Crianças sendo sexualizadas! E a plateia achando isso lindo e maravilhoso. Vai tomar no c* todos os envolvidos, inclusive a Netflix. Que nojo de vocês”, disparou outro usuário da rede.

Para muitos, o filme serviria como um atrativos a pedófilos, devido à carga de sexualização nos atos das personagens. “E o filme que foi colocado na Netflix, que dá visibilidade principalmente para a pedofilia e vai ser assistido por pedófilos, contendo crianças sensualizando e muitas outras coisas”, analisou uma terceira conta na rede.

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Netflix defende produção

Em meio às rejeições vindas do mundo todo, um porta-voz da Netflix se manifestou sobre o caso e explicou que “Lindinhas”, na verdade, seria justamente uma crítica social sobre esse assunto. “‘Lindinhas é uma crítica social sobre a sexualização de jovens crianças”, afirmou em um comunicado à Variety.

“É um filme premiado e uma história poderosa sobre a pressão que as jovens meninas enfrentam nas redes sociais e da sociedade, de modo geral, quando estão crescendo. Nós encorajamos qualquer um que se importe com esses assuntos importantes a assistir ao filme”, concluiu o texto da empresa.

“Lindinhas” recebeu o prêmio do júri ao estrear no “Festival de Sundance” deste ano. (Foto: Divulgação)

A diretora francesa, Maïmouna Doucouré, revelou ao Deadline que até já recebeu ameaças de morte desde que o filme foi divulgado pela Netflix. Num especial chamado “A história sobre Mignonnes”, ela explicou que a história sobre a produção é um retrato de sua vida. “Nossas garotas veem nas redes sociais que, quanto mais uma mulher é sexualizada nas redes, mais elas são bem-sucedidas… E sim, isso é perigoso”, disse ela.

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Vencedora do Prêmio do Júri de direção no Festival Sundance deste ano, a cineasta explicou como enxerga a trajetória da personagem de seu filme. “Amy acredita que ela pode encontrar liberdade naquele grupo de dançarinas e na hipersexualização delas. Mas isso é liberdade de verdade? Especialmente quando você é criança? É claro que não”, avaliou Doucouré. Assista ao vídeo aqui:

A polêmica sobre “Lindinhas” teve início semanas atrás, quando o pôster do filme divulgado pela Netflix foi amplamente criticado. Nele, vemos Amy e suas colegas de grupo com shorts curtos e blusinhas cropped, em posições inapropriadas. Já em agosto, internautas demonstraram sua indignação e até criaram petições para impedir que o filme entrasse no catálogo da empresa.

A Netflix tem um filme chamado ‘Lindinhas’, sobre garotas de 11 anos em um grupo de ‘twerk’. Algumas das avaliações dizem que é um ‘comentário’ sobre a sexualização de crianças, mas esse é o pôster. E tenham em mente que a atriz principal realmente tem 11 anos. No filme e na vida real“, escreveu um usuário da rede social. “Eu apoio as artes. Quero que as estrelas de ‘Lindinhas’ alcancem todas as estrelas no céu. Dito isso, não posso aceitar permitir que as crianças sejam retratadas de uma forma que seja excessivamente sexualizada“, afirmou outra internauta.

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Outra questão que chamou a atenção da galera na internet foi a grande diferença entre o pôster francês e o feito pela Netflix. No primeiro, as meninas usam roupas do cotidiano enquanto andam animadas pela rua. Já no segundo, elas estão com figurinos de apresentação. “É interessante comparar a versão francesa do pôster de ‘Lindinhas’ com a versão americana… tipo, a versão francesa tem uma vibe mais ‘crianças se divertindo!’, enquanto a versão americana é apenas… nojenta. Sinto que a equipe de marketing da Netflix tem muito o que responder“, escreveu um fã.

Após milhares de pessoas assinarem a petição contra o filme, a Netflix se pronunciou sobre a polêmica. “Nós lamentamos profundamente pela arte inapropriada que foi usada para ‘Mignonnes’/’Lindinhas’. Não foi aceitável, nem foi representativo deste filme francês que ganhou um prêmio no Sundance. Nós atualizamos as fotos e a descrição”, afirmou a empresa sobre o pôster.

Netflix mudou pôster do filme “Lindinhas” após críticas. (Foto: Divulgação/Netflix)

A antiga sinopse dizia que a protagonista se tornava obcecada por uma “equipe de ‘twerk'” e que, com isso, começava a “explorar sua feminilidade”. A nova apresentação retrata Amy como uma garota que se rebela contra sua família tradicional quando entra em um “grupo de dança de espírito livre”. O filme tem classificação indicativa para maiores de 16 anos e segue disponível na Netflix.