Ao vivo na CNN Brasil, ex-consulesa da França critica emissora por escalar William Waack para comentar protestos antirracismo nos EUA, e faz recomendação; assista

Durante sua participação no telejornal “CNN 360º” nesta terça-feira (2), a ex-consulesa francesa Alexandra Loras criticou ao vivo a decisão da emissora em colocar William Waack para comentar as mobilizações antirracistas que acontecem no mundo.

Em seu discurso, a entrevistada relembrou a demissão do profissional na rede Globo por fazer um comentário racista. “Quando vejo o William Waack, que foi mandado embora por um episódio de racismo, e hoje debater tanto tempo sobre o racismo. Eu acho que deveríamos também convidar negros para debater no lugar de fala deles sobre esse assunto. É saudável”, opinou. Procurada pelo site Uol, a assessoria da CNN Brasil disse que não iria se manifestar sobre o assunto.

Alexandra não foi a única que estranhou o fato do jornalista assumir a cobertura e os comentários a respeito dos protestos. Na última sexta-feira (29), telespectadores se manifestaram indignados com a apresentação de Waack em um momento tão simbólico para a luta racial. “O racismo brasileiro é tão estrutural e cínico que William Waack, demitido da Globo por uma frase racista, foi logo premiado pela CNN e ontem comentava sobre a revolta nos EUA pelo assassinato de #GeorgeFloyd!”, se indignou uma jovem.

Em 2016, o âncora do “Jornal da Globo” fazia a cobertura da vitória de Donald Trump na eleição dos Estados Unidos quando se irritou com um motorista que passou buzinando na rua. O momento acabou registrado pelas câmeras e viralizou na web. “Está buzinando por quê, seu m*rda do cacete? Deve ser um, com certeza, não vou nem falar de quem, eu sei quem é, sabe o que é?”, indagou para o comentarista que participaria do telejornal. E então Waack cochicha “É preto, né?!”. Relembre o momento:

A gravação, feita nos bastidores, só foi vazada no ano seguinte. A emissora carioca optou por afastar imediatamente o funcionário e um mês depois anunciou a rescisão do seu contrato. “A TV GLOBO e o jornalista decidiram que o melhor caminho a seguir é o encerramento consensual do contrato de prestação de serviços que mantinham. A TV GLOBO reafirma seu repúdio ao racismo em todas as suas formas e manifestações”, informou no comunicado publicado na época.