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Apresentadora da Record Goiás é demitida, acusa emissora de machismo e desabafa sobre episódio de fotos de biquíni em reunião; assista

Abriu o verbo! Nesta terça-feira (25), a apresentadora da Record Goiás, Mariana Martins, usou seu perfil no Instagram para anunciar que havia sido demitida da emissora. Em um vídeo de pouco mais de sete minutos de duração, a jornalista expôs episódios de machismo e constrangimento que teriam acontecido com ela dentro da empresa.

Logo no início da gravação, a apresentadora do programa “Balanço Geral Manhã” explicou que a Record não comunicou para ela o motivo da sua demissão, no entanto, ela alegou saber qual era a razão. Além de dar uma satisfação ao público que a acompanhava na telinha, Mariana quis dar um alerta para outras mulheres. “A pressão pela audiência, a busca pela audiência não pode maltratar e nem coagir o funcionário. Eu vivi várias situações de constrangimento em que deixaram claro pra mim que era para eu me transformar em outra pessoa, uma pessoa que não sou”, começou a profissional.

Martins explicou que viveu muitos bons momentos na emissora, mas há algum tempo, a relação começou a tomar outros rumos. No último dia 4, ela foi chamada para uma reunião em que seria discutida a queda de audiência, tanto em seu programa quanto na emissora em geral. A jornalista afirmou que a empresa estava insatisfeita por perder a audiência da “classe C” especialmente, que seria o público-alvo do canal. “Só que eles não percebem que o que eu tentei argumentar com eles lá [na reunião] foi isso. É que a culpa não é das pessoas. A culpa não é da Mariana”, contestou.

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Em seguida, a apresentadora relatou ter vivido momentos de muito constrangimento ao ter suas publicações no Instagram expostas para todos. “Colocaram nessa reunião várias fotos das minhas redes sociais com a presença de várias pessoas me constrangendo de uma forma absurda. Colocaram fotos minhas de biquíni, fotos minhas de viagem, dizendo que eu tinha que me transformar, que eu tinha que transformar o meu Instagram em outro. Pra falar a língua desse público, pra chamar essas pessoas. [Falaram] que as fotos estavam muito bonitas! Que eu tinha que ser outra”, desabafou a jornalista.

Mariana
Mariana Martins alega ter sido constrangida em reunião com posts do seu Instagram. Foto: Reprodução

“Cheguei a ouvir de uma gerente, que é mulher, que talvez meu jeito de andar não era o certo. Que ela achava que eu sensualizava um pouco na hora de falar. Eu sensualizar na hora do jornal, gente?! Eu não sensualizo nem aqui no Instagram com vocês. Situações de constrangimento, preconceito e machismo foram inúmeras”, continuou Mariana, alegando, inclusive, que a empresa teria exposto o perfil de uma outra jornalista como o “modelo a ser seguido”. “Eu falei que não é isso que fideliza o público!”, acrescentou a apresentadora, antes de argumentar que o telespectador quer ver suas denúncias sendo divulgadas.

Mariana Martins revelou que uma outra colega passou pela mesma situação dentro da emissora por ter um corpo “chamativo”. “A coagiram, até teve que apagar o Instagram dela. Fotos de maiô, de viagens, de coisas dela. Isso não tá certo! Tudo que eu tô falando aqui não é da minha cabeça, eu tenho como provar”, declarou a jornalista. A apresentadora ainda encerrou incentivando as mulheres a não serem diminuídas pela forma de falar, andar, como se vestem e outras questões da sociedade machista que vivemos. “Você sabe que não é porque eu viajei e postei uma foto de biquíni que sou menos jornalista por isso. O meu papel tá bem feito no jornal […] A gente não pode se calar para nenhum tipo de preconceito. A gente precisa se unir e ser firme!”, afirmou.

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Por fim, a profissional lembrou que não existe nada em contrato dizendo que a emissora tem o poder de intervir nas redes sociais de seus contratados. “Eu quis deixar esse depoimento aqui porque não tá certo. No contrato que a gente assina não tem nada que diz que eles podem gerir nossas redes sociais. É a minha vida, a minha individualidade. A minha casa que eu mostro pra vocês! Mas eles fazem pressão na gente. Fazem tortura psicológica com a gente!”, disparou.

“A preocupação deveria ser com o bom jornalismo, ético, sem amarras comerciais, nem com prefeitura, nem com estado. Porque parece que a cidade os problemas acabaram. A gente só faz matéria lá de tráfico de drogas, imagem de câmera de segurança, carro roubado ou coisa bonitinha. As pessoas sabem o que é de verdade”, disse Mariana com a voz embargada. “Eu falei pra eles: ‘Não é esse preconceito e esse machismo que vão diminuir a história que eu construí!'”, encerrou.

Assista ao vídeo na íntegra: