BBB21: Executivos do Globoplay revelam como câmeras no pay-per-view são escolhidas, e explicam recente “apagão” em transmissão de festa; confira!

Vira e mexe, muitos fãs do “BBB” reclamam das incessantes trocas de câmeras do pay-per-view. Nesta semana, o colunista do UOL, Maurício Stycer, conversou com dois executivos do Globoplay, que revelaram como funciona essa transmissão 24 horas e deram detalhes de como as imagens são escolhidas. Eles ainda explicaram um recente “apagão” do sistema durante uma festa.

Segundo Erick Brêtas, diretor de produtos e serviços digitais, a responsabilidade sobre a edição das imagens e tudo que vai ao ar é da área de produção. Mas ele deixou claro que são vários os fatores envolvidos no que é possível ou não ser acompanhado pelo público. “No início do programa, com 20 pessoas, você pode ter seis, sete focos de conversa. E duas câmeras principais. O diretor de TV corta e escolhe. Alguma escolha precisa ter. E tem câmeras fixas, que o áudio da pessoa precisa estar perto do microfone da câmera para ser captado também”, comentou.

Segundo o executivo da emissora, os cortes de câmera nem sempre agradam aos fãs por motivos “subjetivos” das decisões “editoriais” da produção. (Foto: Reprodução/Globoplay)

Brêtas ressaltou que as escolhas do foco do pay-per-view são sempre “subjetivas”, e que podem, ou não, atender ao gosto dos espectadores – mas que seguem uma decisão “editorial”. “Não é possível, quando a casa está cheia, a gente mostrar todas as conversas que acontecem ao mesmo tempo. Tem o fenômeno do fã também. Às vezes, a decisão editorial de quem está fazendo o corte não coincide com o gosto do fã, que estava mais interessado na conversa que foi cortada. São decisões humanas e, como tudo, tem uma gama de subjetividade”, reforçou.

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Apagão inesperado

No papo, o diretor de tecnologia, Raymundo Barros, também respondeu por que as nove câmeras do serviço de streaming saíram do ar na madrugada do dia 21 de fevereiro, na festa “Olho no Olho” – episódio que levantou preocupações e críticas por parte dos assinantes. “Foi um problema nos Estúdios Globo. Ele ficou ilhado do ponto de vista de telecomunicações por causa de um rompimento em fibra ótica. Não foi um problema no Globoplay ou nas câmaras”, afirmou o executivo.

Barros diz ainda que esse foi o momento mais traumático para a equipe do reality show. “Para o BBB foi o momento mais estressante… Nós ficamos meia hora sem as duas câmeras principais e depois voltamos com as nove câmeras. Foi uma madrugada intensa”, recordou ele, que ainda desabafou: “a gente sofre quando tem uma coisa dessas”.

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Apesar de o “apagão da infraestrutura” ser um problema externo, a equipe de tecnologia ficou muito preocupada devido ao número de queixas das pessoas ligadinhas na plataforma. “Na época de ‘BBB’, o consumo fica muito concentrado em ‘BBB’. E quando você tem prova do líder, festa, jogo da discórdia no digital, todo mundo só quer ver aquele conteúdo. Por isso a percepção de falha aumenta. Tem um efeito social muito grande, que não acontece com conteúdos sob demanda”, mencionou o diretor.

Sucesso de audiência pós-“BBB 20”

Após primeiras semanas bastante intensas, com muitas tretas e momentos impactantes, o “BBB 21” ultrapassou o recorde de audiência do “BBB 20” em pouco tempo, no que se refere ao conteúdo digital. “O que nos surpreendeu é ter sido mais que o topo da audiência de 2020 logo de cara”, contou Brêtas. Barros, por sua vez, citou que o número das rajadas – quando milhões de pessoas tentam entrar no streaming logo após o fim do programa na TV – tem sido muito maior do que eles esperavam.

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“Não abrimos o programa preparados para a dimensão de migração de audiência que passamos a ter este ano”, disse o diretor de tecnologia. De acordo com os dados, em questão de segundos, o número de pessoas entrando na plataforma passa de 300 mil para 600 mil. “Ninguém no mundo faz esse processo de transferência de audiência. O programa termina com gancho para internet. Migração de dezenas de milhões no mesmo minuto”, completou ele, afirmando que não existe um fenômeno tão robusto assim em nenhum outro lugar.

O bate-papo com após a eliminação de Karol Conká foi a noite de um dos maiores picos de audiência do streaming. (Foto: Reprodução/Globoplay)

O bate-papo com o eliminado também tem impactado o streaming. Apenas na noite em que Ana Clara conversou com Karol Conká, a transmissão chegou a 1,2 milhão de acessos simultâneos. No total, o pico de consumo do Globoplay naquela noite foi de 2,3 milhões.

Tudo isso também reflete na instabilidade que a plataforma enfrenta frequentemente. “Nosso problema não é sustentar milhões de pessoas na plataforma. O problema mais crítico é o suporte à rajada. É você ter no mesmo minuto, quando sobe o crédito na TV, milhões de pessoas acessando a plataforma simultaneamente”, apontou Barros.