Caso Kathlen: policiais militares são denunciados por alterarem a cena do crime (Reprodução; Instagram/ Scott Rodgerson; Unsplash)

Caso Kathlen Romeu: Cinco policiais militares são denunciados pelo MP, e acusação aponta alteração no local da morte; saiba detalhes

Nesta segunda-feira (13), cinco policiais militares foram denunciados pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro pela morte da jovem Kathlen de Oliveira Romeu, de 24 anos. O crime aconteceu em junho, no Complexo do Lins de Vasconcelos, zona norte da cidade. Na ocasião, a jovem estava grávida e foi atingida durante uma operação policial na comunidade. As informações são da CNN Brasil.

O capitão Jeanderson Corrêa Sodré, o 3° sargento Rafael Chaves de Oliveira e os cabos Rodrigo Correia de Frias, Cláudio da Silva Scanfela e Marcos da Silva Salviano foram os principais acusados pelo MP. Além disso, foi pedida a prisão preventiva dos quatro últimos oficiais citados, acusados de alterarem o local da morte de Romeu.

De acordo com a publicação, os agentes acrescentaram 12 cartuchos calibre 9 milímetros deflagrados e um carregador de fuzil 556, com 10 munições intactas, antes da chegada da perícia. Naquele mesmo dia, o material foi apresentado por eles na 26ª Delegacia de Polícia. O objetivo, segundo a denúncia, seria simular uma troca de tiros entre eles e criminosos da comunidade. Os quatro são acusados de fraudes processuais e falso testemunho.

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Kathlen Romeu tinha 24 anos e estava grávida de seu primeiro filho. Os dois faleceram. (Fotos: Reprodução)

“Enquanto deveriam preservar o local de homicídio, aguardando a chegada da equipe de peritos da Polícia Civil, os denunciados Frias, Salviano, Scanfela e Chaves o alteraram fraudulentamente, realizando as condutas acima descritas, com a intenção de criar vestígios de suposto confronto com criminosos”, diz um trecho do documento obtido pela CNN.

Jeanderson Corrêa Sodré, único que não teve o pedido de prisão decretado, foi denunciado por fraude processual na forma omissiva. Na denúncia consta que ele estava no local e, como “superior hierárquico” dos demais policiais, se omitiu, quando tinha o dever de direcionar as ações dos subordinados. Segundo o G1, a investigação da Polícia Civil concluiu que o tiro que matou a jovem foi disparado por um PM. Apesar da acusação, a análise não aponta qual foi o policial que, de fato, atirou na jovem.

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Após a decisão do Ministério Público, a mãe de Kathlen, Jaqueline Oliveira, disse em entrevista ao “Jornal Nacional” que agora “está começando a ter um pouco de esperança”. “A verdade foi mostrada e, muitas vezes, essa verdade que a gente já fala desde o dia oito de junho [dia em que Kathlen morreu] foi confrontada. A verdade da minha mãe, a verdade das testemunhas… A verdade é uma só: o estado assassinou a minha filha”, afirmou a mãe. Assista:

Relembre o caso

A modelo e designer de interiores Kathlen Romeu, de 24 anos, morreu no dia 8 de junho, após ser atingida por um tiro durante uma operação policial na comunidade do Lins, Zona Norte do Rio. Grávida de apenas 14 semanas, momentos antes da fatalidade, ela havia feito uma publicação nas redes sociais celebrando a gestação. O caso mobilizou os internautas nas redes sociais.

Segundo relatos de moradores ao portal G1, Kathlen foi atingida por uma “bala perdida” durante um confronto dos policiais com bandidos. Além da morte da designer, a operação resultou na apreensão de um carregador de fuzil, munições de calibre 9mm e drogas. A Polícia Militar do Rio de Janeiro afirmou que Romeu foi encontrada ferida na rua e levada para o Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, mas não resistiu. Posteriormente, a instituição também confirmou a morte do bebê.

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Kathlen Romeu tinha 24 anos e estava grávida de seu primeiro filho. Os dois faleceram. (Foto: @rogeriojorgeph)

A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) ficou responsável por investigar o caso e descobrir de onde partiu o tiro. Em nota, a Polícia Militar informou que os agentes foram atacados a tiros por criminosos na localidade conhecida como “Beco da 14”, dando início a um confronto.

Em entrevista para a TV Globo na época, a avó de Kathlen Romeu, que não teve o nome divulgado, deu mais detalhes de como tudo aconteceu. Segundo a senhora, elas estavam indo visitar a tia da designer de interiores. “A gente estava indo na firma da minha filha. Quando nós passamos a rua estava tranquila. Foi tudo muito de repente. A minha neta caiu, começou muito tiro. Quando eu puxei ela caiu, eu me machuquei ainda, me joguei para proteger ela, que está gravida. Eu só vi um furo no braço dela e gritei para eles me ajudarem a trazer. Perdi minha neta e meu bisneto”, desabafou.

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“A minha rua tá muito perigosa, eu não queria ter perdido minha neta e perdi desse jeito estúpido. Eu perdi minha neta num tiroteio bárbaro”, completou a avó. No relato, ela ainda explicou que Kathlen tinha se mudado da comunidade, justamente por causa do medo da violência. “A garota tem um mês que saiu dali por causa desses perigos, por causa de tudo daquele Lins. Aquela minha rua tá muito perigosa. Eu não queria ter perdido minha neta e perdi desse jeito estúpido. Uma garota que trabalha, que estuda, formada. Só isso que eu tenho a dizer, eu não tenho mais nada“, declarou.