Hugo Gloss

Polícia reprime manifestantes contra Bolsonaro na cidade de Pádua, na Itália, e truculência impressiona; assista aos vídeos

(Antonio Cruz; Agência Brasil/ Reprodução; Twitter)

(Antonio Cruz; Agência Brasil/ Reprodução; Twitter)

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, está na Itália, onde participou de uma reunião da cúpula do G20. Nesta segunda-feira (1º), Bolsonaro viajou para a região de Pádua, onde a polícia precisou conter manifestantes que eram contrários à presença do chefe de Estado. As autoridades locais chegaram a usar canhão d’água nos presentes. As informações são da agência de notícias italiana Ansa.

O ataque antecedeu a visita de Bolsonaro à Basílica de Santo Antônio. O governista só conseguiu ir até o local após o fechamento para os demais fiéis e precisou entrar pela porta lateral. Ainda, de acordo com a imprensa italiana, o presidente e sua comitiva foram para um hotel até que a situação estivesse sob controle, já que o cordão de isolamento montado pela polícia não havia sido o suficiente. Na cidade, o presidente só esteve para ir até a igreja, já que o prefeito Sérgio Giordani informou que “não teria espaço na agenda” para receber o brasileiro.

Nas mãos dos manifestantes, faixas com dizeres contra o presidente brasileiro. Palavras de ordem em italiano eram gritadas em megafones. Alguns portavam bandeiras do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST. Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram o momento em que o confronto se instaura, com policiais usando cassetetes, escudos e bombas de gás lacrimogênio, e manifestantes reagindo ao atirar objetos contra os agentes.

Ainda segundo a Ansa, cerca de 500 jovens de grupos contrários ao presidente brasileiro se reuniram na cidade. O jornal cita uma mulher presa e confirma que as autoridades locais estão “analisando as imagens para identificar mais pessoas que participaram do ato e agrediram os policiais”. Assista:

https://twitter.com/georgmarques/status/1455212510878048256?s=21

Mais cedo, Jair Bolsonaro visitou a cidade de Anguillara, onde recebeu título de cidadão honorário, por ser o local de nascimento de seu bisavô. Lá, quase 200 pessoas se reuniram contra a concessão do título. Representantes de vários partidos de esquerda, assim como do sindicato CGIL e da associação antifascista ANPI, protestaram com bandeiras e cartazes.

Participação tímida e agressão à jornalistas

Esta não é a primeira vez que a presença de Bolsonaro causa confusão em terras italianas. No domingo (31), ele saiu para passear nos arredores da embaixada brasileira, no centro de Roma, e seguranças empurraram e agrediram jornalistas que tentaram se aproximar para fazer perguntas. O episódio aconteceu logo depois que os membros da imprensa brasileira foram hostilizados pelo presidente, que se irritou com um dos questionamentos.

“Presidente, presidente. O cara tá empurrando, gente. Presidente, por que o senhor não foi de manhã no encontro do G20?”, questionou o jornalista. Como já é de costume, Bolsonaro se irritou ao perceber que se tratava de um jornalista da TV Globo. “Você não tem vergonha na cara”, disparou. “Oi, presidente, por que o senhor não foi de manhã nos eventos do G20?”, continuou Monteiro, cumprindo sua obrigação profissional. “Vocês não têm vergonha na cara, rapaz”, ignorou Bolsonaro mais uma vez.

Fotos: Marcelo Camargo/Agência Brasil; Reprodução/YouTube

As violências foram registradas principalmente por Jamil Chade, do UOL. Na gravação, é possível ver Monteiro sendo empurrado e perguntando o que está acontecendo. No fundo, apoiadores do presidente gritavam “Globo lixo!”. Em seu relato, Chade revelou que o clima já estava tenso bem antes, quando uma repórter da Folha de São Paulo foi empurrada por um dos seguranças ao tentar se aproximar do local em que o chefe de Estado sairia. Além disso, uma produtora da TV Globo teria sido hostilizada pelos bolsonaristas presentes.

Ao tentar identificar o policial italiano agredindo seu colega de trabalho, Chade afirmou que foi surpreendido por outro oficial que o empurrou, agarrou seu braço para torcê-lo e ainda levou seu celular, que foi jogado na rua poucos metros adiante. As filmagens no local mostraram a confusão que se instalou. Ainda segundo o relato do jornalista, isso fez com que Jair Bolsonaro desistisse de fazer seu passeio pela cidade, o terceiro que ele iria realizar por lá.

A pergunta feita por Leonardo Monteiro se deu diante da participação inexpressiva do presidente do Brasil na cúpula do G20, evento de extrema importância para fortalecer as relações internacionais. Para se ter uma ideia, os líderes presentes em Roma representam 80% da economia mundial.

Jamil Chade teve acesso a um momento mais “descontraído” do evento, em que vários daqueles políticos podiam discutir questões de relevância para o futuro da planeta. “Numa rodinha informal, Angela Merkel (Alemanha), Emmanuel Macron (França), Antônio Guterres (ONU) e Ursula van der Leyen (UE) debatiam a maneira que iriam pressionar a comunidade internacional para criar um fundo conjunto para garantir a distribuição de vacinas”, exemplificou o correspondente.

Porém, nas gravações feitas pelo jornalista, Jair Bolsonaro aparece “deslocado”, conversando apenas com poucos profissionais que fazem parte de sua equipe. De longe, ele avista os demais líderes mundiais e aponta tentando identificá-los. Na sequência, Bolsonaro tenta obter a atenção de funcionários do evento. “Com um dos garçons, puxou conversa: ‘Todo mundo italiano aí?’. Sem graça, o senhor que servia apenas fez um gesto positivo com a cabeça. Bolsonaro não desistia e falou de suas origens italianas. Mas não conseguia atrair a atenção dos garçons. Começou então a fazer uma piada com a final entre Brasil e Itália, na Copa de 1970. Ninguém entendeu”, relatou Jamil.

Outro episódio que chamou atenção aconteceu na manhã de domingo. Os líderes do G20 aproveitaram o dia para visitar a Fonte de Trevi de Roma, conhecido ponto turístico da capital italiana, e fazer o tradicional gesto de jogar uma moeda de costas para a fonte. Bolsonaro não participou do momento. Ele preferiu visitar o monumento na véspera, sozinho com membros de sua comitiva, como um entre os muitos turistas.

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