Adele (1)

Compositor de “Mulheres” fala sobre processo contra Adele por plágio, e revela sua real intenção; assista

O Fantástico deste domingo (26), conversou com o compositor de “Mulheres”, Toninho Geraes, sobre a acusação de plágio que ele faz contra Adele. Segundo o músico, ele e sua equipe estão reunindo provas para acionar a cantora britânica na Justiça. A atração da Globo trouxe ainda especialistas musicais para apontar as similaridades entre a canção, interpretada por Martinho da Vila, e “Million Years Ago”, de 2015.

Geraes soube do suposto plágio após ser contatado por Misael Hora, filho do Maestro Rildo Hora – que orquestrou a composição. O tecladista se deu conta das semelhanças quando ouviu, por acaso, a canção de Adele em uma festa. “Quando tocou a versão em inglês, foi imediato. Pá. Confesso que me pegou de surpresa. Eu não achei nem que se tratasse de um plágio. Por Deus. Achei que era a mesma música com uma versão em inglês. Quando eu descobri que não tinha o nome do Toninho, eu fiquei estupefato“, relatou Misael.

O compositor contou que não conhecia a fundo o trabalho de Adele, apenas tinha ouvido falar da cantora. “Eu falei: mas é muito idêntica?“, relembrou Toninho. A paridade entre as músicas chama atenção. Misael chegou a tocar, durante a reportagem, algumas notas de ambas para embasar o caso. Duas notificações extrajudiciais já foram enviadas em maio à Adele, ao produtor e coautor de “Million Years Ago”, Greg Kurstin, ao grupo Sony Music e à gravadora XL Recordings/Beggars Group. Confira as canções abaixo:

“Mulheres” – Martinho da Vila (composição: Toninho Geraes)

“Million Years Ago” – Adele (composição: Adele Adkins e Greg Kurstin)

Mashup “Million Years Ago e Mulheres” – Adele e Martinho da Vila

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São quatro meses de notificação sem uma resposta, um pronunciamento“, disse o defensor Fredímio Biassoto Trotta. Apenas a Sony Music se manifestou, através de uma nota, afirmando que o assunto está sendo tratado pela XL Recordings e pela própria Adele. Segundo a Sony, eles apenas distribuíram a obra no Brasil, em um contrato que já expirou.

Para que um plágio seja comprovado, é necessário que se prove que o plagiador teve contato com a obra original e agiu intencionalmente. Portanto, Geraes e sua defesa argumentam e tentam demonstrar que o produtor de Adele é pesquisador de música brasileira. Kurstin já compartilhou nas redes sociais, conteúdos de artistas do nosso país, como Paulinho da Viola e Maria Bethânia.

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Dois especialistas também foram contratados para apontar as semelhanças entre as obras. “Eu ajo como aquele perito dos filmes, que entra depois dos assassinatos com aquela escovinha, pegando as impressões digitais nos corpos… A similitude [entre as canções] é inegável“, apontou o maestro Armênio Graça Filho. Em outro laudo, do perito Antônio Carlos Lobo, observou-se que, mesmo com algumas mudanças de ritmo e interpretação, as melodias são bem semelhantes.

Eu não quero brigar, só quero que reconheçam que a minha música está dentro da obra dela. Se a parte dela me procurar, a gente acena com a bandeira da paz“, afirmou Toninho. Segundo reportagem da revista Veja, que teve acesso aos documentos do caso, a defesa do compositor afirma que Adele e Kurstin “se apropriaram das primeiras notas de introdução” de “Mulheres”, reproduzindo-as no início, no refrão e no final da canção da britânica. As notificações contabilizam 88 indícios de cópia nos compassos de “Million Years Ago”, incluindo trechos idênticos, outros substancialmente semelhantes e imitativos. Na prática, isso totaliza cerca de 87% da canção, ou seja três minutos e dois segundos. Assista à reportagem: