Estupro coletivo no Rio: Novas vítimas revelam padrão nos crimes e choque com descoberta: ‘Só fui chorar agora’; assista

Denunciantes se surpreenderam ao descobrir que não eram as únicas vítimas e decidiram falar pela primeira vez

Após o caso de estupro coletivo contra uma adolescente em Copacabana vir à tona, outras duas jovens procuraram a polícia. Ao "Fantástico", a mãe da segunda vítima e a terceira denunciante deram seus relatos.

Após o caso de estupro coletivo contra uma adolescente, de 17 anos, em Copacabana, no Rio de Janeiro, se tornar público, outras duas vítimas procuraram a polícia. O “Fantástico” deste domingo (9) conversou com a mãe da segunda jovem, que na época dos fatos tinha apenas 14 anos, e com a terceira denunciante, hoje maior de idade.

De acordo com a polícia, os crimes eram executados sempre do mesmo modo: eles convidavam uma menina para o apartamento e planejavam a emboscada com os amigos. O estupro contra a segunda vítima teria ocorrido em agosto de 2023. Em depoimento nesta semana, ela contou que mantinha um relacionamento com o único menor de idade, e que foi convidada a ir até a casa de Mattheus Verissimo Zoel Martins, de 19 anos, onde se deu o episódio.

Ao jornalístico, a mãe da adolescente lamentou não ter feito a denúncia antes. “Foi um choque muito grande saber que eu passei quase três anos olhando a minha filha sem nem cogitar que algo parecido tivesse acontecido com ela. Ela me chamou, me pediu para conversar e disse que três anos atrás tinha acontecido a mesma coisa com ela“, desabafou.

Ela falou que também foi vítima de dois deles, pelo menos dois deles, e tinha um terceiro, que era maior. Eu só ouvi isso, eu não tive estômago… Eram moleques achando que aquilo ali, que o prazer deles era mais importante do que o trauma delas“, disse.

Maiores de idade suspeitos no caso de estupro coletivo contra a adolescente, de 17 anos, em Copacabana, no Rio de Janeiro. (Foto: Reprodução/TV Globo)

A terceira denunciante, hoje maior de idade, afirmou ao dominical que tinha 17 anos quando foi abusada em uma festa por Vitor Hugo Oliveira Simonin, em 2025. Os dois eram colegas no Colégio Pedro II, do Campus Humaitá II. “Teve uma hora que ele pediu para eu praticar sexo oral nele, eu falei que não ia fazer, muito menos ali. Enquanto a gente se beijava, ele começou a tentar empurrar a minha cabeça pra baixo, e eu falei: ‘Vitor, eu não vou fazer isso aqui’. Ele continuou“, declarou.

Ela ficou em choque ao descobrir sobre o primeiro caso e então se deu conta do que havia acontecido consigo mesma. “Minhas pernas meio que cederam, eu caí, ele começou a forçar um sexo oral nele. Ele continuava forçando a minha cabeça. Quando eu consegui finalmente levantar do chão, que eu tive força para levantar do chão, apareceu um segurança e eu consegui voltar para a festa. Eu acho que foi só quando o caso estourou e eu vi, que falei: ‘Aquilo realmente foi um estupro, e eu preciso falar sobre isso’“, observou.

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A jovem ainda disse que recebeu mensagem do menor apreendido, convidando-a para ir a um apartamento. “Eu não cheguei a ir nem para a casa dele, nem para a casa do Vitor Hugo. Nunca fui na casa de nenhum dos dois. Eu só fui chorar agora, não pelo o que aconteceu, mas pelo o que poderia ter acontecido“, compartilhou.

Para ela, houve omissão por parte da instituição de ensino. “Eu sei que o colégio já sabia que eles não eram pessoas muito boas, porque eles já tiveram inúmeras suspensões, advertências, afastamento, troca de turno. Eu acho que todo mundo já imaginava em algum momento, acho que era só questão de quando ia acontecer“, concluiu.

Mensagem do menor de idade recebida pela terceira vítima. (Foto: Reprodução/TV Globo)

Em nota à TV Globo, o Colégio Pedro II disse que “todas as denúncias que chegam são imediatamente acolhidas e são adotadas as medidas cabíveis“. Já sobre o estupro coletivo, o colégio informou que abriu um processo disciplinar, que “poderá culminar no desligamento compulsório dos envolvidos“.

As denúncias foram feitas ao longo desta semana, após o delegado Ângelo Lages, da 12ª DP (Copacabana), solicitar que outras jovens, que tivessem passado pelo mesmo com os envolvidos, procurassem a polícia. Os quatro maiores já foram presos. São eles: Bruno Felipe dos Santos Allegretti, Vitor Hugo Oliveira Simonin, ambos de 18 anos; e João Gabriel Xavier Bertho e Mattheus Verissimo Zoel Martins, de 19. O menor de idade foi apreendido e está no Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase).

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O que dizem as defesas?

Em notas, as defesas dos quatro maiores de idade negam a participação deles no estupro, e que a “inocência deles será provada no curso do processo“. A defesa do menor também nega e disse que o jovem “se apresentou espontaneamente às autoridades após a ciência da decretação de sua internação provisória, demonstrando sua total disposição em colaborar com a Justiça para o esclarecimento da verdade“.

Assista à reportagem completa:

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