Entrevista: MC Zaac revela surpresa com Luísa Sonza, e relembra ‘gesto simples, mas importante’ de Anitta em gravação de clipe: ‘Foi lá e falou um monte’

A biografia dele no Instagram já avisa: “De Diadema para o mundo”. E foi mesmo! O brasileiro MC Zaac despontou no mercado musical colocando o funk como protagonista em parcerias incríveis com a sueca Tove Lo, o colombiano J Balvin e o norte-americano Tyga. No Brasil, o cantor também emplacou colaborações bombadas com Anitta, Luísa Sonza e Claudia Leitte, e promete voar cada vez mais alto.

Os números não mentem! Em bate-papo com o hugogloss.com, Zaac comemorou o sucesso do recente single “Desce pro Play”, e comentou sua relação com a amiga Anitta, que rendeu já três estreias históricas no Spotify. “Lembro que no clipe de ‘Vai Malandra’, eu tava morrendo de frio e todo molhado e acabaram me esquecendo lá sem querer para continuar a gravar. Ela voltou lá e falou um monte [com a equipe]. Foi um gesto simples, mas muito importante, porque pra gente que tá começando, ter uma artista desse tamanho brigando por você… Eu tenho muita gratidão por ela”, revelou.

Quando emplacou o hit “Bumbum Granada”, o paulista ainda trazia o nome ao lado da sua dupla, o cantor Jerry Smith. De lá para cá, sua carreira solo decolou, mas assim como acontece com muitos artistas, o rapaz poderia ter terminado como um “one-hit wonder”. “Até eu lançar ‘Vai Embrazando’, existia esse medo. ‘Será que a galera vai me conhecer? Será que já me esqueceu?'”, recordou. Hoje, ele figura em duas posições do Top 50 no Spotify. “É uma conquista maravilhosa poder chegar nesse lugar, através de um sonho, fazendo algo que você gosta. Tudo dá vontade de chorar!”, contou.

O céu é o limite! Zaac já coleciona parcerias com grandes nomes da música internacional, a exemplo de J Balvin, Tove Lo e Tyga. (Foto: Marcos Alonso)

Confira a entrevista com MC Zaac na íntegra:

Hugo Gloss: Bom, primeiro precisamos falar sobre o sucesso de “Desce pro Play”. Como rolou essa parceria com a Anitta e o Tyga? Vocês ficaram um mês em primeiro lugar. O que acharam da repercussão?

MC Zaac: É uma proposta bem diferente, a primeira vez que eu conheci a galera da Brabo Music, eles mostraram diversos beats e tinha esse que chamava “pa pa pa”. Super envolvente, contagiante e eu já quis colocar a voz no beat. Assim que terminou e a gente viu que tinha essa energia, essa pegada, eu mostrei para Anitta e ela gostou pra caramba. Já quis botar a voz e colocou o Tyga na parada. Essa música, da primeira vez que eu ouvi até o final [da produção], a gente conseguiu passar tanto na letra quanto na batida, a alegria, brincadeira, o toque de sensualidade, e foi esse sucesso aí. Tô muito feliz com o desempenho dela, todo dia quando acordo ainda fico vendo os números subindo.

HG: Eu li que você já era muito fã do Tyga e ele, inclusive, já conhecia seu trabalho. O que representou pra você esse feat e como é a relação de vocês? Já teve a oportunidade de conhecê-lo?

MZ: Nós íamos nos conhecer pessoalmente, mas por conta disso que a gente tá passando aqui eu tive que reprogramar o clipe com cada um em um estúdio, na sua casa, então a gente não conseguiu se conhecer. O mais engraçado é que sem querer a Anitta colocou ele no som sem saber dessa história aí. Eu já tinha chamado ele por mensagem, trocado uma ideia: “Vamo fazer um som e tal”, e ele deu maior ideia, falou “Bora!”. Só que até então não tinha um som pra gente fazer juntos ainda, só a ideia mesmo. Aí a Anitta fez o convite, ele aceitou e finalmente conseguimos fazer juntos e foi algo maravilhoso para mim.

HG: Agora seu nome já escala mais uma vez as paradas com “Toma”, gravada com a Luísa Sonza. A gente gostou bastante. A música traz na própria letra, a coreografia. Como foi compôr com a Luísa e de onde veio a ideia de uma colaboração?

MZ: A Luísa é uma outra artista que eu tinha muita vontade de fazer um som juntos pelo talento que ela tem. Depois que a gente foi para o estúdio e ela colocou a voz, e pude ver o quanto é potente e o quanto ela consegue usá-la de várias formas, eu falei: “Ainda bem que a gente está fazendo uma música juntos”. Eu me surpreendi muito! Falei que a galera não tem noção de 40% do talento que ela tem. A gente sempre falou de fazer alguma coisa juntos, tínhamos a ideia do som que queríamos fazer, só que falamos: “Cara, ainda não é isso”. Aí ela fez um “camp” (encontro) na casa dela de composição com vários compositores e a gente fez a “Toma”. E é uma coisa maravilhosa, porque ela queria uma coisa que fosse um pop com essa onda do funk, aí achamos essa linguagem. E, cara, deu no que deu! Também achei super incrível! Eu amo experimentar na música, tudo que é diferente brilha nos meus olhos.

HG: Ela vem de uma fase — assim como você — exitosa. Nas últimas semanas, entretanto, a Luísa foi alvo de ataques justamente pelo clipe de outra parceria, com Vitão. Como você avalia esse episódio? Vocês falaram a respeito? Havia receio de que isso pudesse se repetir?

MZ: Não, não teve problema em relação a isso, não. A única conversa que eu tive com ela foi só sobre essa artista maravilhosa que ela é. A gente nem chegou a conversar sobre esse evento, mas eu acompanhei, sim, e não tive medo [de que se repetisse], porque como eu disse, ela é super talentosa e pessoas maldosas vão ver maldade nas coisas sem existir. Não pode deixar esse tipo de pessoa atrapalhar, é bola pra frente.

HG: O clipe ficou muito legal e foi gravado durante a quarentena. Como foi essa experiência de produzir algo em meio a esse momento delicado e cheio de restrições para preservar a saúde de todo mundo… e mesmo assim surpreender?

MZ: Acho que a gente está vivendo um momento de aprendizado nesse período difícil de como retomar e replanejar as coisas, então estamos lidando com isso de uma forma bem criativa. Estamos nos recriando bastante, inclusive, eu fiquei preocupado, porque “Desce pro Play” era um trabalho meu com a Anitta e o Tyga, e fiquei morrendo de medo, será que vai dar certo e tal? Mas o diretor Thiago Eva junto com a equipe fez aquele trabalho incrível. Eu acredito que ficou perfeito para o momento, sabe?! Fizemos os testes e tudo mais que tinha que ser feito por conta dessa questão da pandemia, que é uma coisa muito louca e precisa ser levada a sério. Geralmente, gravar um clipe é muito cansativo e trabalhoso, e nesse [da Luísa] o diretor já sabia o que queria. O clipe ficou ótimo, o lance das cores, a Luísa vestida a caráter tipo anime, inspirado no k-pop. Depois que ela me falou, mas eu já tinha sacado e achei sensacional.

HG: Por falar em quarentena, como você tem lidado com esse período? E como você acha que o Brasil está enfrentando a pandemia?

MZ: É um momento muito difícil e complicado, né?! Tem muita coisa por trás… Até do que eu falei dos aprendizados, de saber uma forma prática para tirar o que tem de positivo desse momento. Mas é muito difícil, tá rolando muito desemprego, dificuldades financeiras, muitas pessoas morrendo. Cara, é um momento que o mundo todo parou! A coisa de positiva que eu tenho visto desse momento é a criatividade das pessoas para “se virarem” neste momento. Acredito que Deus sabe o que está fazendo e Ele vai livrar a gente dessa. Eu vejo que todos estão se unindo, o mundo está se unindo e dando as mãos. É um momento muito difícil para quem trabalha com eventos, mas já tá rolando os shows drive-in que têm ajudado a galera. Eu tenho ficado muito em estúdio ou na minha casa com a minha filha pequena, de um ano e cinco meses, acompanhando a evolução dela. Me apego nessas coisas e aconselho as outras pessoas também a extraírem o máximo de coisas positivas, o negativo todo mundo já sabe o que é, então não adianta se apegar nisso.

HG: Você já tem quatro feats internacionais poderosos, incluindo um com a Tove Lo, que a gente ama! Tem algum favorito? Já tem mais algum engatilhado? Qual sua parceria dos sonhos? 

MZ: Feat internacional que eu amei foi com a Tove Lo. Foi uma música muito diferente da minha praia, sabe?! É muito diferente pra mim aquele tipo de som, eu nunca chegaria naquele resultado, por exemplo. Achei uma sacada muito boa dela, gostei da voz, comecei a conhecer as músicas, e ela é uma artista internacional gigantesca! Sobre a parceria dos sonhos, tem muitas. Vou falar dois nomes: Beyoncé e Bruno Mars. Para os próximos meses a gente tem outros projetos, mas não posso falar. Tá encaminhando!

HG: Quando você consegue algo como um feat com um ídolo lá de fora, qual a sensação? Já chorou com um convite ou ao ouvir sua música em algum lugar? O que você fazia antes da fama?

MZ: Minha perspectiva era colocar meu som na minha quebrada, e agora ter esse cenário que as pessoas até me usam como referência, pô, dá vontade de chorar demais, velho! É uma conquista maravilhosa poder chegar nesse lugar, através de um sonho, fazendo algo que você gosta. Tudo dá vontade de chorar! Minha carreira, minha vida, as pessoas maravilhosas que estão nessa caminhada comigo. Eu não sei nem te explicar qual é o sentimento … Poder trabalhar com esses artistas nacionais e internacionais é um sonho pra mim. Já trabalhei como ajudante geral, que foi quando eu conheci esse cenário do funk e vi como faziam o beat com celular e com a boca e mandavam a letra em cima, comecei daquela forma. Meu olho brilhou com aquela criatividade toda e comecei fazendo nessa pegada com amigos e continuei.

HG: Eu vi que você estava aprendendo inglês e tudo mais. Você já pensa em articular uma carreira internacional pra valer?

MZ: Sem querer, querendo, as músicas com a Tove Lo, J Balvin e essa forma rápida de consumo aqui no Brasil e no mundo automaticamente já colocaram a gente com “um pé lá e um pé cá”, sabe?! Então acho que é bom, sim, preciso fazer mais aulas de espanhol, outros idiomas, porque ainda vai ter muita coisa. É aquilo, né, a oportunidade tá aí andando bem na sua frente, cabe a você abraçar ou deixar passar. A música tá dando esse tipo de espaço, então a gente tem que acompanhar.

HG: Você já fez funk, já fez misturas com pop, sertanejo, axé… Tem vontade de explorar algum desses gêneros mais a fundo? É algo que você já pensou sobre?

MZ: Amo música no geral, sabe?! Já até falei o quanto eu sou fã da voz da Marisa Monte. Gosto de MPB, do estilo sertanejo, todo tipo de música eu gosto. E quero fazer, sim, velho. Eu acredito que o funk já é a minha voz e onde eu estiver, o funk vai estar. Mas eu quero, sim, fazer música romântica… Eu quero ir aonde minha voz levar. Tenho certeza que o trabalho que estamos fazendo, o andamento que estamos tendo está muito próximo de fazer algo do tipo, até mesmo um possível feat de uma música romântica. Mas não posso falar também! [Risos] Logo, logo, vocês vão ver! Podem esperar!

Zaac já se aventurou em diversos ritmos, inclusive no sertanejo, na parceria “Tá que Tá”, gravada com Simone e Simaria. Foto: Reprodução/Youtube

HG: “Desce pro Play” é sua terceira parceria com Anitta. Você sabia que “Vai Malandra”, “Bola Rebola” e “Desce pro Play” são respectivamente as maiores estreias da história do Spotify no Brasil? O que acha disso? É a dupla mais imbatível da plataforma!

MZ: Cara, da forma que eu falo as pessoas acham super clichê, mas eu agradeço muito a Deus por tudo! Minha expectativa de “trampo” quando comecei era que a minha música tocasse no baile, e poder ser reconhecido dessa forma, sabe?! Quando a Anitta postou o “Vai Embrazando”, foi nosso primeiro contato. Eu falei: “Vamo mandar uma música pra ela e ver se ela curte”. Aí mandei “Vai Malandra”, ela topou, já colocou no projeto dela “Check Mate”. Da minha vontade de ver a música tocar só no baile da quebrada, aí fui para um feat com a Anitta, que é uma artista fazendo um trabalho maravilhoso, eu acho tudo muito louco! Explodiu demais, os fãs amaram e viviam pedindo pra gente fazer outra música juntos. Agora é uma confirmação que a galera realmente gostou dessa parceria.

HG: Como é trabalhar com ela? Há chances de uma nova música juntos? A Anitta tem um histórico controverso com algumas das pessoas com as quais ela já trabalhou. Vocês dois, entretanto, seguem em bons termos. A que você credita, essa sintonia?

MZ: Minha experiência com a Anitta sempre foi muito boa, muito maravilhosa. Eu lembro que no clipe de “Vai Malandra”, assim que a gente saiu da piscina lá dentro do caminhão, eu tava morrendo de frio e todo molhado e acabaram me esquecendo lá sem querer para continuar a gravar. Ela voltou lá e falou um monte, “Você não sabe quem é ele, não? É o Zaac da música!”. Foi um gesto simples, mas muito importante, porque pra gente que tá começando, ter uma artista desse tamanho brigando por você… Eu tenho uma gratidão por ela e pela nossa parceria que dá muito certo. É uma pessoa com quem tenho muito a aprender, eu falo com ela: “Você é o trampo”. Já até brinquei que daqui a pouco vamos virar uma dupla de tanto que a galera curte. [Sobre uma próxima parceria] Eu não posso falar, né?! [Risos]

Nova dupla?! Zaac brinca sobre o sucesso das suas parcerias com a amiga Anitta. Foto: Reprodução/YouTube

HG: Você explodiu no Brasil em 2016 com “Bumbum Granada”, e sabemos como é difícil se manter em alta. Você teve medo de virar um one hit wonder (um cantor de um sucesso só)?! 

MZ: Na verdade, eu passei por vários medos, mas é ele que me faz criar. O primeiro medo que eu tive quando a gente lançou “Bumbum Granada”, que era uma dupla com o Jerry [Smith], foi da gente separar e a galera não me acompanhar mais, sabe?! Até eu lançar “Vai Embrazando”, existia esse medo. “Será que a galera vai me conhecer? Será que já me esqueceu?”, mas acho que acaba virando um “combustível” esse sentimento. Eu falo que tenho que criar, fazer coisas, todo dia eu vou para o estúdio. Eu senti esse medo, mas nem foi por insegurança, mas por esse consumo da música ser muito rápido. Então a gente sempre tem que se reinventar, Deus tem me dado essa força aí e eu tô sempre correndo atrás.

HG: Felizmente, você emplacou uma série de sucessos como “Vai Embrazando”, “Vai Malandra” e agora “TOMA”. Uma curiosidade é que todos esses hits são parcerias. Isso te incomoda? Ainda quer um hit solo? Já pensou sobre isso?

MZ: Eu encaro a música hoje de outra forma. Acho que o feat tem um poder muito maior de levar [a música] para mais pessoas. Então eu não encaro dessa forma, não. Acho que precisa ter canções solo, mas acredito que quando a coisa é boa, bem feita e traz muita verdade, a parada acontece de qualquer forma. Eu curto muito o feat só por causa dessa pegada de ter dois artistas juntos fazendo a sua verdade. Defendo essa bandeira e acho que é algo que tem dado super certo. Eu sou grato pela galera ter me curtido nesse formato, mas eu ainda tenho muita coisa pra fazer, seja solo ou feat.

HG: Eu vi no seu feed que você ficou muito tocado pelo movimento “Vidas Negras Importam”. Pessoalmente, como você tem refletido sobre os recentes episódios de racismo e sobre a luta antirracista?

MZ: É um assunto muito triste, e não somente neste momento. A gente vive com esse preconceito diariamente pela forma que as pessoas te olham, como agem ao te cumprimentar, vivemos com isso há muito tempo. E tem pessoas em todos os lugares morrendo com isso. É algo que vem de outros tempos, sendo que antigamente era ainda mais brutal. É incrível que finalmente o assunto esteja em alta, sabe?! Porque todo dia isso (o racismo) acontece! Me emociona demais pessoalmente, me emociona ver a história dessas pessoas assassinadas durante operações da polícia, porque eu não passo por tantas coisas hoje em dia como eles passam, mas eu sinto esse preconceito. Não precisa necessariamente me bater, mas um olhar já é suficiente.

HG: Você já sofreu algum caso de racismo?

MZ: Quando as coisas começaram a dar certo na minha carreira, fui para o shopping, porque eu nunca tive condições de comprar as coisas assim. Fui com a roupa que eu tinha, normal, aí veio seguranças chegando em mim como se eu fosse roubar alguma coisa, sabe?! Sem eu ter feito nada! Tava até tirando foto, completamente espontâneo. Tem lugares também que as pessoas sempre me veem chegando lá, tipo na portaria de um prédio que sempre me veem por ali. E, tipo, eu sozinho, beleza a pessoa me barrar. Mas se estiver eu e outra pessoa branca, no caso, e quem está lá recepcionando deixar quem está comigo passar e me parar perguntando não sei o quê, mesmo já sabendo a resposta, é o tipo de coisa que eu tenho que passar. Por isso eu te digo o quanto é importante que essa discussão seja exaltada, porque é algo que vivemos diariamente e precisamos que acabe.

HG: Você pensa em aproximar seu trabalho, seja musicalmente ou pelo seu alcance nas redes, com essas questões sociais?

MZ: Sim, já pensei, mas ainda não tive a oportunidade de aprofundar ainda. Até em música já pensei, porque como disse, é algo que vivemos diariamente e vai magoando a gente de uma forma que dá vontade de gritar mesmo. Que bom que o mundo finalmente parou para falar sobre isso com atenção. A gente merece respeito! Todo mundo merece respeito!

Cheio de mistério sobre seus próximos projetos, MC Zaac deve emplacar muitos hits em 2020 ainda. Foto: Marcos Alonso.

HG: Com dois sucessos em 2020, o que Zaac ainda prepara para o resto do ano?

MZ: Rapaz, e agora?! [Risos] Eu vou falar pessoas que eu quero fazer feat, não quer dizer que eu vou fazer não, tá?! É só que eu quero… Com o Léo Santana e com o Gustavo Mioto. Tá bom já, falei muito! Mas é só que eu tenho vontade de fazer música junto, não quer dizer que eu vá fazer. [Risos]