Repórter da BBC é atingida e arremessada por explosão em Beirute, no Líbano, e deixa entrevistado em choque; assista

Meu Deus! A jornalista Maryam Toumi, da BBC News da Arábia, foi uma das pessoas atingidas pela explosão ocorrida na zona portuária de Beirute, no Líbano, nessa terça-feira (04). A repórter estava fazendo uma entrevista ao vivo e teve sua imagem gravada durante o impacto do estouro.

O vídeo foi compartilhado na conta oficial da emissora no Twitter nesta quarta (05). “O momento chocante em que a explosão em Beirute aconteceu foi flagrado na câmera pela jornalista Maryam Toumi que estava fazendo uma entrevista em vídeo no momento”, descreveu o time de imprensa da BBC News.

Na gravação, a jornalista está conduzindo a entrevista por videochamada com o diretor de projetos da Agência Marroquina de Energia Sustentável Faisal Al-Asil quando ouve o alto barulho da explosão. Neste momento, ela leva um susto e vai checar a janela para ver o que houve, quando é arremessada longe pelo impacto.

Maryam, então, passa a gritar intensamente, enquanto o alarme de emergência do local soa ao fundo. Na sequência, ela pega a câmera e mostra que está embaixo de uma mesa, aparentemente sem grandes ferimentos. Enquanto isso, Faisal chama outra funcionária para mostrar o que houve e os dois assistem à cena, assustados, sem poderem fazer nada. Assista:

A grande explosão que ocorreu nessa terça-feira (04) na zona portuária de Beirute, no Líbano deixou mais de 100 pessoas mortas e outras 4 mil feridas. Segundo autoridades locais, 3 mil toneladas de nitrato de amônia confiscadas de um navio russo em 2013 e estocadas sem segurança em um armazém no porto teriam sido as responsáveis pela tragédia.

De acordo com cartas obtidas pela emissora de TV Al Jazeera, as autoridades libaneses tinham conhecimento do armazenamento há pelo menos seis anos e, apesar dos alertas, fizeram pouco caso em relação ao fato. Ministros ouvidos pela agência “Reuters” afirmaram que o governo do Líbano decidiu colocar todas as pessoas responsáveis pela autoridade portuária da cidade de Beirute desde 2014 em prisão domiciliar.

“É inadmissível que um carregamento de nitrato de amônio, estimado em 2.750 toneladas, estivesse em um armazém por seis anos, sem medidas preventivas. Isso é inaceitável e não podemos permanecer calados sobre esse assunto”, declarou o primeiro-ministro Hassan Diab por um porta-voz em uma entrevista coletiva.

Resgate das vítimas e hospitais destruídos

O impacto do estouro foi imenso, até mesmo a ponto de lançar pessoas ao mar. Segundo a Cruz Vermelha, alguns barcos foram mobilizados para resgatar tais vítimas. De acordo com o G1, a organização humanitária também afirma que muitas pessoas ainda estão presas nos escombros dentro de suas casas, abaladas pela explosão.

Além das preocupações com a pandemia da Covid-19, os hospitais da região agora estão sofrendo também para lidar com os pacientes, visto que também foram abalados pela explosão. Em um deles, localizado a menos de dois quilômetros do epicentro, um médico contou que diversos feridos estavam sendo levados até lá – no entanto, não conseguiam ser atendidos, porque o hospital estava destruído.

“Eles estão trazendo pessoas ao hospital, mas não conseguimos tratá-las… Eles as estão deixando do lado de fora, nas ruas. O hospital está destruído, o pronto-socorro está quebrado”, disse o médico, em relato ao The Guardian. Nas redes sociais, circulam também vídeos que mostram pacientes sendo atendidos nas ruas e até mesmo estacionamentos, por conta da destruição. Olha só:

Estragos destroem ruas de Beirute

Como alguns vídeos demonstraram, a explosão deixou para trás um rastro de destruição, sentido a quilômetros de distância da região do porto. O correspondente do The Guardian, Martin Chulov, descreveu parte desse cenário assustador: “As ruas da zona leste de Beirute ficaram em ruínas apocalípticas, mesmo a quatro quilômetros do epicentro da explosão. Cada prédio nessa área perdeu algumas, senão todas as janelas”.

“Árvores ficaram em pedaços e piscinas de sangue viraram comuns. Rastros de sangue levavam aos carros e motos, que correram com os feridos às clínicas ou hospitais, que não conseguiam lidar com os mortos e mutilados”, continuou Chulov. “Dezenas de prédios claramente sofreram um estrago estrutural. Um bombardeio de semanas de artilharia constante provavelmente não causaria tamanhas ruínas”, avaliou o correspondente.

Chulov ainda completou: “É bem difícil abalar Beirute, que já se reergueu e decaiu em bombas antes. Mas em uma cidade habituada às explosões, isso foi algo novo”. As imagens dos destroços e do impacto causado pela explosão também assustam, em diversos registros compartilhados pelas redes sociais. Confira mais algumas das imagens abaixo: