Ellen Pompeo é criticada por declarações lamentáveis sobre assédio em vídeo de 2018, e se manifesta: ‘Peço desculpas se é perturbador’; Assista

Ellen Pompeo precisou se pronunciar nessa quinta-feira (23) após um vídeo antigo dela ser trazido à tona e viralizar nas redes sociais. Na gravação, a atriz alegava que as mulheres também devem ser responsáveis pelos “sinais que emitem” em casos de assédio. Ela ainda falava que “quando um não quer, dois não fazem” e mencionava a experiência positiva que teve com Harvey Weinstein, produtor condenado a 23 anos de prisão por estupro e agressão sexual.

O vídeo viralizou e a estrela de “Grey’s Anatomy” foi detonada nas redes sociais, com seu nome indo parar nos assuntos mais comentados do Twitter. Diante da repercussão, ela decidiu se pronunciar, pedindo desculpas e apontando para o contexto da declaração.

“Ei meninas, peço desculpas se o vídeo é perturbador! Ele está fora de contexto e esse é um tema muito sério para ser tratado em uma plataforma como essa… Pessoas que foram abusadas ou assediadas devem buscar suporte de terapeutas… Esse não é um espaço saudável para um assunto tão sério”, afirmou, inicialmente.

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Pompeo, então, pontuou que ainda não sabia sobre os casos de estupro do produtor de Hollywood naquela época. “Para quem se sentiu ofendido ou levou isso de modo pessoal, essa gravação tem mais de dois anos e foi feita muito antes de todas as histórias serem divulgadas. Eu certamente não sabia que ele era um estuprador naquela época… Isso levou essa merda toda a outro nível”, afirmou.

Ela ainda levantou outro ponto sobre o registro. “No vídeo eu estou falando sobre assédio, não agressão sexual. Duas coisas diferentes. Eu estava falando sobre a MINHA experiência com assédio em Hollywood e minha perspectiva sobre isso”, argumentou.

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Ellen, que está no meio artístico desde os anos 1990, disse que as coisas eram muito diferentes nesse sentido no passado. “Muitos anos antes do movimento Time’s Up, as mulheres precisaram aguentar assédio e ainda precisam constantemente… Era parte do trabalho, assim como em muitas ou todas as áreas. Não podíamos reclamar como podemos hoje. Se nós reclamássemos, éramos demitidas e os homens ficavam”, lamentou.

“A minha forma de lidar com situações que vivi não é comentar sobre como outras mulheres lidam com as coisas. Mais uma vez, graças a Deus podemos falar sobre isso agora. Assédio e agressão sexual são ambos ruins, mas diferentes. Não tenho certeza se assédio é visto como crime pelas autoridades”, concluiu ela.

A atriz voltou a se pronunciar, entretanto, ao ser informada que, na época da entrevista, Weinstein já havia sido acusado de estupro. “Okay, acabaram de me falar que a história do ‘The Times’ já havia sido publicada antes [do vídeo] mas eu não tinha lido. Eu só comecei a realmente acompanhar as notícias sobre isso quando o julgamento começou”, explicou, dando um fim ao assunto.

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O vídeo em questão foi gravado durante uma palestra que Ellen deu na universidade de Oxford e divulgado pela organização Oxford Union. Na parte polêmica, a artista havia sido questionada sobre a importância de ter coragem de se manifestar contra assédio no local de trabalho e sobre o papel que os movimentos #MeToo e #TimesUp desempenharam nisso.

“Primeiro, os homens precisam entender que não vão se safar. Número um. Ou as mulheres precisam entender. Não quero ser sexista sobre isso. Todo mundo é capaz de assédio de qualquer tipo, certo. Então, as pessoas precisam entender que isso não será tolerado e acho que as pessoas precisam ser educadas sobre isso”, declarou inicialmente.

“Eu não vou dar desculpas para esses porcos de Hollywood que fazem essas coisas repugnantes com as mulheres. No entanto, eu acredito que há gerações de homens que assistiram a comportamentos de outros homens e viram que eles se safaram com esse tipo de comportamento. Então por séculos e séculos, os homens aprenderam isso”, completou.

Ellen causou polêmica ao falar sobre Weinstein em um vídeo antigo (Foto: Getty)

Foi então que Pompeo levantou a bola sobre o papel das mulheres nos casos em que são vítimas. “Eu também acho que as mulheres devem ser responsáveis pelos sinais que emitimos, pelas mensagens que transmitimos e a maneira como nos apresentamos. Eu disse isso no meu artigo e não tenho vergonha de admitir, como uma atriz, você certamente entra em uma sala com a ideia de que ‘esse diretor precisa se apaixonar por mim para me dar esse papel’. E assim, como mulheres, nós flertamos”, afirmou.

“Acho que estamos cientes do nosso poder, especialmente nós, mulheres. Estamos muito cientes do nosso poder de sedução desde muito cedo. E nós o usamos. E isso vem a calhar, certo? Em muitos casos, isso vem a calhar, mas tem que haver uma balança e uma linha, mas acho que nós carregamos algumas responsabilidades”, apontou ela.

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A intérprete de Meredith Grey, então, usou a expressão “it takes two to tango” (“São necessárias duas pessoas para dançar”, em tradução livre) e falou sobre sua experiência com Weinstein. “Acho que temos alguma responsabilidade, não todas, mas, quando um não quer, dois não fazem, com certeza. Não é culpa da vítima, é apenas para dizer… Eu entrei em uma sala com Harvey Weinstein, me sentei à mesa com ele, provavelmente tive duas horas e meia de conversa com ele. Ele nunca disse nada inapropriado para mim, nunca fez nenhum tipo de avanço físico para mim”, relatou.

“Eu não estava na sala sozinha com ele. Fui enviada para lá por um agente no meio do dia. Não achei que houvesse algo errado. Não teria entrado naquela sala à noite. Mas ele não fez nada de inapropriado comigo. Agora, se ele tivesse feito, eu teria pegado um copo e esmagado no rosto dele. Quero dizer, é sobre o que estamos dispostos a tolerar em nossa auto-estima e o que nós conseguimos aturar, e o que vamos comprometer para sermos amados e aceitos? O quanto queremos estar no show business?”, finalizou. Assista: