Leandro Narloch é demitido da CNN Brasil após comentário homofóbico ao vivo; saiba os detalhes

Após gerar revolta no público por conta de um discurso considerado homofóbico, o comentarista Leandro Narloch foi demitido da CNN Brasil nesta sexta-feira (10). Na última quarta (8), ao falar sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de liberar que homens gays doem sangue, o escritor associou a população homossexual à promiscuidade.

Além de render duras críticas junto aos telespectadores, a fala preconceituosa de Narloch foi vista com maus olhos pela emissora, que optou por terminar seu contrato. “A CNN Brasil decidiu rescindir o contrato do jornalista e escritor Leandro Narloch. A empresa agradece pelos serviços prestados no período em que ele fez parte de nossa equipe de analistas e deseja sucesso no seguimento de sua carreira”, disse em nota para o hugogloss.com.

Com a rescisão, o profissional não integrará mais nenhum telejornal do canal a cabo. Até o fechamento desta matéria, a CNN Brasil não tinha apontado uma nova contratação para substituir Leandro Narloch.

Leandro Narloch causou revolta ao associar promiscuidade aos homens homossexuais. Foto: Reprodução/CNN Brasil

Entenda o caso

Durante o programa “Live CNN” do dia 8 de julho, o comentarista Leandro Narloch foi convidado a falar sobre a liberação do STF para que homens homossexuais pudessem doar sangue. No entanto, suas falas foram consideradas homofóbicas e duramente criticadas nas redes sociais, pelo tom antiquado de seu discurso.

Ao vivo na CNN Brasil, Narloch afirmou que “a mudança na verdade é pequena”. “Ela vai restringir mais a conduta, e não o tipo de pessoa, a opção sexual (sic) do indivíduo”, afirmou. O comentarista ainda disse “não haver dúvidas” que homens homossexuais teriam mais risco de infecção pelo HIV. “Toda essa polêmica começou porque, não há dúvida disso, os gays, os homens gays, eles têm uma chance muito maior de ter Aids, né? Em 2018, uma pesquisa mostrou que 25% dos gays de São Paulo eram portadores de HIV”, continuou ele.

“Mesmo que esse número seja exagerado, e de fato ele parece mesmo exagerado, o fato é que é dezenas de vezes maior, maior a chance do que na população geral. A questão é que outros critérios para exclusão já restringem os gays que têm comportamento promíscuo, né? A regra como estava agora, ela estava muito injusta com os gays, por exemplo, que se cuidavam, que faziam sexo protegido ou então que tinham um parceiro só durante toda a vida”, acrescentou.

De volta ao estúdio, os apresentadores Phelipe Siani e Marcela Rahal ficaram sem reação às falas. Até que o âncora prosseguiu com o telejornal: “Bom, é… A gente acabou de falar sobre essa mudança de protocolo. 2020 e só agora a gente teve retirado de fato esse impedimento de homossexuais fazendo doação de sangue”, disse ele. Assista ao vídeo aqui:

As estatísticas citadas por Leandro Narloch foram divulgadas pelo Ministério da Saúde em 2018, num artigo publicado pela revista científica internacional Medicine, após uma pesquisa realizada em 12 cidades brasileiras. Entretanto, não houve uma interpretação dos dados, nem uma análise de que é a falta de prevenção o que pode acarretar uma infecção pelo HIV – e não as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo.

O comentário causou muita revolta pelas redes sociais, com diversos perfis reclamando dos equívocos cometidos por Narloch, e da maneira com a qual tratou o assunto em rede nacional. “Esse comentário foi desrespeitoso e burro”, avaliou o jornalista Renan Brites Peixoto, complementado pelo repórter Gabriel Vaquer: “Tem tanto adjetivo. Desrespeitoso, burro, preconceituoso….”.

Outro perfil fez questão listar alguns dos deslizes: “Não sabe a diferença entre HIV e Aids. Não sabe que existem casas de suingue onde heteros também têm comportamento promíscuo, não sabe que promiscuidade de acordo com a OMS é ter mais de dois parceiros por ano… Não sabe que um simples teste de HIV e DSTs, além de outras doenças como hepatite, já garante a segurança para doar sangue, não sabe que mulheres casadas com maridos ignorantes como ele correm mais risco de contrair HIV”.