Nos Tempos Imperador George Floyd Guebo

Novela da Globo terá cena inspirada na morte de George Floyd, e web detona: “Fetiche em mostrar preto sofrendo”

O personagem Guebo (Maicon Rodrigues) terá uma morte similar ao crime que chocou o mundo em 2020

[Atualização às 16h30 do dia 20/01: Após a repercussão, a TV Globo emitiu um comunicado informando que a cena chegou a ser escrita; no entanto, ela não foi gravada do jeito previsto no roteiro. “A cena de ‘Nos Tempos do Imperador’ descrita na coluna de ontem não foi gravada desta forma. No texto do capítulo original havia sim uma sequência sugerindo uma determinada referência, mas a equipe de direção e o ator envolvido avaliaram, dias antes de gravar, que, no contexto da cena, não caberia fazer a alusão sugerida”, informa a nota.]

Em sua reta final, a novela “Nos Tempos do Imperador” fará uma referência ao caso de George Floyd. De acordo com Patrícia Kogut, colunista do jornal “O Globo”, o personagem Guebo (Maicon Rodrigues) será morto sufocado – como uma reprodução do crime que chocou o mundo em 2020. Nas redes sociais, a notícia causou indignação e uma série de críticas à produção.

Na trama, Guebo e os guerreiros invadirão a Câmara mascarados, para protestar contra o envio de escravos libertos para a Guerra do Paraguai. Mas a manifestação rapidamenete se tornará um grande confronto, com a reação violenta do delegado Borges (Danilo Dal Farra). O rapaz tentará escapar e sairá correndo por um beco, até ser encontrado pelo oficial. “Parado ou eu atiro”, dirá o policial.

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Guebo, personagem de “Nos Tempos do Imperador”, morrerá sufocado como George Floyd. (Foto: Reprodução/TV Globo)

Sozinho, Guebo olhará para os lados, mas não encontrará mais ninguém. Então, Borges dará um salto do telhado e o derrubará no chão. É neste momento que o delegado se ajoelhará no pescoço do personagem – assim como fez o ex-policial Derek Chauvin no caso Floyd. Guebo ficará ofegante e agonizará no chão até a morte, enquanto não consegue respirar. “Não! Para! Não consigo…”, clamará ele. A cena deve ir ao ar já nos próximos capítulos.

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O assunto repercutiu muito na web, rendendo críticas à inclusão dessa cena no roteiro. “Aquele velho fetiche de branco em ver preto sendo torturado e morto, mas agora com a desculpa de ser antirracista”, escreveu o influencer Mussum Alive. Um outro perfil no Twitter disparou: “Globo é assim: uma vela pro santo e outra pro capeta. Falam tanto de progressismo e luta antirracista, mas na fundação tudo continua a mesma coisa. PRA QUE fazer uma cena que provavelmente vai dar gatilho em milhares de pessoas pretas assistindo? Por que não fazer uma homenagem?”.

Outros ainda questionaram a falta de mais protagonistas negros nas novelas, enquanto cenas como essas ganham espaço. “Só têm fetiche em mostrar preto sofrendo, agora colocar um de nós como protagonista de uma das novelas…. nada! Não consigo nem lembrar qual a última novela que teve, a única que me vem a cabeça é a Taís Araújo em ‘Amor de Mãe’ e mesmo assim, ela não era a única…”, lamentou Anna. Houve até comparações da produção com uma “bomba nuclear”. Meses atrás, “Nos Tempos do Imperador” também foi alvo de críticas após sugerir um inexistente “racismo reverso”. Veja mais reações abaixo:

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Caso George Floyd

George Floyd tinha apenas 46 anos quando foi asfixiado até a morte na cidade de Minneapolis, no dia 25 de maio de 2020. O ex-policial Derek Chauvin foi quem pressionou o joelho no pescoço do ex-segurança por mais de oito minutos, enquanto Floyd clamava por socorro, gritando: “Eu não consigo respirar!”. Testemunhas registraram a cena e o vídeo circulou o mundo, gerando uma onda de indignação e protestos contra o racismo e a brutalidade policial, inflamando o movimento “Vidas Negras Importam”.

Derek Chauvin George Floyd
Derek Chauvin foi condenado a 22 anos de prisão, acusado de asfixiar George Floyd até a morte. (Fotos: Reprodução/Twitter; Divulgação)

Em junho de 2021, Derek Chauvin foi condenado a 22 anos e meio de prisão pela morte de George Floyd. Em um julgamento tido como histórico nos Estados Unidos, o ex-policial foi considerado culpado em três acusações: por homicídio culposo; por causar a morte, sem intenção, por meio de um ato perigoso, sem consideração pela vida humana; e por negligência ao assumir o risco consciente de causar a morte de Floyd.