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Ator de “Scandal”, Joshua Malina expõe preconceitos de Mel Gibson e acusa ator de ‘odiar judeus’; leia a íntegra

Eita! O ator Joshua Malina, conhecido por seus papéis em “Scandal” e “The Big Bang Theory”, escreveu um longo artigo, afirmando que Mel Gibson deveria ser “cancelado” por Hollywood. No texto, publicado pela revista The Atlantic na última semana, o artista acusou Mel de ser anti-semita e “odiar judeus”.

A crítica de Joshua, denominada “Cancelem Mel Gibson”, foi motivada pela recente contratação do veterano para assumir a direção do filme “Máquina Mortífera 5”. “Gibson é um conhecido odiador de judeus (anti-semita é muito suave). Seus preconceitos são bem documentados. Então, minha pergunta é, o que uma pessoa tem que fazer esses dias para terminar na lista de exclusão de Hollywood?“, iniciou o ator.

Eu tendo a aceitar os trabalhos que vêm para mim. Mas – e isso dói para escrever – você não poderia me pagar o suficiente para trabalhar com Mel Gibson. Agora, eu amo os filmes Máquina Mortífera (pelo menos os primeiros). E Danny Glover é uma joia. Mas Gibson? Sim, ele é um homem talentoso. Muitas pessoas horríveis produzem arte maravilhosa. Coloquem-me como um fã fervoroso de Roald Dahl, Pablo Picasso e Edith Wharton; não me canso do que eles estão vendendo. Mas esses três tiveram o bom gosto de morrer. Isso torna muito mais fácil aproveitar sua produção. Gibson vive. E Tinseltown não precisava mais contratá-lo“, continuou, criticando Hollywood pelas oportunidades dadas ao astro.

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Mel já foi acusado anteriormente de fazer comentários preconceituosos. (Foto: Getty)

Para Malina, o fato de Gibson ser bem-vindo em grandes franquias demonstra que a “cultura do cancelamento simplesmente não existe”. “O fato de que isso não parece incomodar os executivos da Warner Bros. me faz pensar se, para eles, ‘os judeus não contam’ – como postula o cômico David Baddiel em seu livro de mesmo nome. Baddiel, um judeu britânico, argumenta que a sociedade ‘educada’ trata o anti-semitismo como uma forma semi-aceitável de preconceito. E o mais enlouquecedor e confuso é que a esquerda progressista e anti-racista muitas vezes parece tolerar e, às vezes, produzi-lo. Quebra meu coração refletir sobre quantos judeus devem ter feito parte do processo que levou ao anúncio da Warner Bros.“, disse. A Warner é a produtora responsável por “Máquina Mortífera 5”.

É indiscutivelmente verdade que os principais alvos do preconceito de Gibson são os judeus, mas o que me confunde é que Hollywood também está negligenciando sua profunda misoginia e investindo no racismo. Eu gostaria que o ódio antijudaico por si só fosse suficiente para jogá-lo no deserto, mas, se for por causa de seus outros preconceitos, estou bem com isso. Deixe-o pegar as centenas de milhões que já ganhou em Hollywood e se aposentar em algum lugar agradável para contemplar suas escolhas de vida. Ouvi dizer que as colinas da Judéia são lindas nesta época do ano“, ironizou o artista.

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Ele finalizou, dizendo não temer as consequências de suas duras críticas. “Escrevo isto sabendo que é mais provável que a Warner Bros. boicote o Joshua Malina do que o Mel Gibson. Mas se for esse o resultado, que seja. Tive uma boa carreira. Seria ótimo se executivos, produtores e atores de alto nível também assumissem uma posição. Então eu poderia acreditar nessa cultura de cancelamento sobre a qual tanto leio. E eu também poderia acreditar que os judeus, de fato, contam“, escreveu.

Relembre polêmica

Em junho de 2020, Gibson já havia sido acusado de ter feito comentários homofóbicos e antissemitas, anos atrás. Na ocasião, as afirmações vieram da atriz Winona Ryder. Em entrevista ao jornal britânico The Sunday Times, a estrela de “Stranger Things”, que é judia, disse já ter sofrido muito preconceito no meio artístico.

“Eu já… De formas interessantes. Tem gente que me fala: ‘Espera, você é judia? Mas você é tão linda!’. Teve um filme de época que fiz testes, em que o chefe do estúdio, que também era judeu, falou que eu era ‘judia demais’ para fazer um papel em uma ‘família de sangue azul'”, recordou.

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Logo em seguida, Winona mencionou o episódio que teria vivido com Gibson. “Estávamos numa festa com um de meus bons amigos, e o Mel Gibson estava ali fumando um cigarro. Estávamos todos conversando, até que ele disse pro meu amigo — que é gay: ‘Espera um minuto, eu vou pegar AIDS?'”, alegou, sobre o momento em que o ator e seu amigo dividiram um cigarro.

“Mais tarde, algum assunto sobre judeus veio à tona, e ele disse: ‘Você não é uma ‘oven dodger’, é?'”, declarou Ryder. Nos Estados Unidos, o termo é usado para falar pejorativamente sobre judeus. Em tradução para o português, significaria algo como “pessoa que escapou do forno”, fazendo uma cruel referência aos campos de concentração onde eram mortos os grupos religiosos durante o holocausto. Segundo a atriz, o vencedor do Oscar tentou se desculpar mais tarde pelos comentários.

Mel Gibson em um de seus grandes sucessos, “Coração Valente”. No longa, o ator interpreta o herói escocês do século 13, chamado William Wallace, que lidera seus conterrâneos contra o monarca inglês Edward I. (Foto: Divulgação)

Originalmente, Winona já havia tocado nesse assunto em 2010, em entrevista à GQ. Em contrapartida, o representante de Mel desmentiu o caso ao site TooFab. “Isso é 100% falso. Ela já mentiu sobre isso uma década atrás para a imprensa, e está mentindo de novo agora. Ela também mentiu sobre ele ter tentado se desculpar mais tarde. Ele realmente entrou em contato com ela, há muitos anos, para confrontá-la sobre as mentiras, e ela se recusou a falar com ele”, informou.

Gibson também já foi acusado de antissemitismo em 2006, após ser preso por dirigir alcoolizado. Em um depoimento feito à polícia, ele afirmou que “os judeus eram responsáveis por todas as guerras do mundo“. Em 2016, à Variety, ele se desculpou e falou que a afirmação foi feita “de cabeça quente”.

“Foi um incidente infortuno. Eu estava bravo e estava preso. Eu fui gravado ilegalmente por um policial inescrupuloso que nunca foi processado por este crime”, alegou na ocasião. Para Winona, o tema é sensível. “Não sou religiosa, mas é difícil para mim falar disso, eu tive familiares que morreram em campos, então é um assunto que me intriga também”, declarou.