Sérgio Loroza chora e faz desabafo poderoso na TV ao falar de racismo e cobrar equidade: ‘Não dá mais para fingir’; assista

Emocionante! Nesta terça-feira (28), Sérgio Loroza se tornou o sétimo eliminado da competição ‘The Masked Singer Brasil‘, da TV Globo. Figura por trás do Astronauta, o ator anunciou o lançamento de uma nova música de trabalho, ‘Afronauta’, e acabou sendo desmascarado pelos juízes.

Já em sua participação no ‘Encontro com Fátima Bernardes‘, nesta quarta-feira (29), o artista fez um desabafo impactante sobre sua experiência na competição como um homem negro, falou sobre a importância da representatividade e pediu, ainda, igualdade no Brasil.

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Aos prantos, o ‘Afronauta’ falou sobre como se sentia antes de integrar a competição e, ainda, sobre a responsabilidade social de representar os grupos que mais sofreram o ostracismo no país, principalmente a população negra. “Graças ao ‘The Masked Singer’, sou o ‘afronauta’. Caiu no meu colo junto com a arte essa ‘responsa’. Sempre quis chegar no palco e dizer ‘ser ou não ser’, mas veio também a ‘responsa’ social, não posso decepcionar essa galera. Eu sei que de uma certa maneira eu estou aqui por eles”, declarou Serjão. “Quando falamos ‘é nóis’, é ‘vem com nóis’. Até quem não é nóis, pode ser nóis quando se junta à nossa guerra. Precisamos de um mundo mais legal, depois da pandemia temos que escolher o tipo de sociedade que a gente quer”, avaliou o ator.

Bernardes, que ficou muito comovida com o discurso, concordou com Serjão e afirmou que o ele “representa muito bem sua bandeira“. “Mas precisamos de mais, né? Um pouquinho mais, coisa assim de 56% de representatividade”, insistiu Loroza. “Equidade, o momento é esse, e a palavra que não quer calar é equidade. E equidade não significa justiça, mas não existe justiça sem equidade. É o que se há de fazer pelo bem da humanidade”, refletiu.

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Na sequência, o artista também pontuou que a luta pela igualdade não deve abranger somente o movimento por vidas negras. “Eu preciso estar também do lado da mulher. Eu preciso estar também do lado do LGBTQIA+. Eu preciso estar do lado de quem está vulnerável na sociedade”, declarou. “Quem tá mal, precisa de mais atenção, o momento é esse. Essa parada plebiscitária que estamos vivendo, uma coisa ou outra, tem muitos milhões de coisas. Mas tem hora que é um eterno segundo turno e você tem que escolher e fico feliz de estar ao lado de Sidney Magal, de Sandra de Sá, toda essa galera que participou do programa, eu fico amarradão. Às vezes, o entretenimento é tido como uma coisa menor. Mas o entretenimento, quando está recheado de boa coisa, a gente atinge o coração das pessoas. Por isso foi legal cantar ‘Gueto’ da IZA. Viva o gueto”, disse Sérgio, relembrando sua última performance no ‘Masked Singer’.

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O artista ainda discursou sobre os perigos da ‘representatividade vazia’ e reforçou que esse tipo de atitude não traz mudanças reais para a população negra. Sérgio aproveitou o momento e também rebateu os que insistem em dizer que o racismo não existe. “Existe a grande armadilha do ego: às vezes, quando ocupa um lugar de poder, temos a tentação de se achar a última bolacha do pacote. Meu desejo não é esse, meu desejo é ir em lugares de poderes e ver meus pares ali. Por ser artista, vejo muito pouco os nossos em alguns lugares. Não dá mais para fingir que não vemos mais esse tipo de coisa”, pontuou. “Tem o discurso de que “somos todos iguais”, para com isso. Mas não fomos nós que criamos o apartheid. A gente vê, nitidamente, que na favela é democrático. Ali tem tem mundo de gente. Mas lá em cima… A gente quer esse acesso lá em cima para inspirar quem está lá em baixo, para quem está a fim de revolucionar”, concluiu.

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