Marília Mendonça: Filha do piloto da cantora afirma que vai processar Cemig por acidente: “Tudo poderia ser diferente”; assista

Filha do piloto de Marília Mendonça diz que vai processar Cemig por acidente. (Reprodução/Instagram)

Novos desdobramentos estão surgindo após a morte precoce de Marília Mendonça, vítima de um acidente de avião no último dia 5 de novembro. Nesta quarta-feira (17), a filha mais velha do piloto Geraldo Medeiros Júnior, que transportava a cantora para o show em Caratinga, anunciou que pretende entrar com um processo contra a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), por conta da tragédia.

A própria Cemig já havia confirmado que a aeronave atingiu um cabo de uma torre de distribuição da empresa na cidade, que fica no Vale do Rio Doce, em Minas, antes de cair na cachoeira. Vitória Medeiros, que tem 19 anos, disse em uma rede social que o espaço não estava devidamente sinalizado, o que poderia ter evitado o acidente. Além de Marília e do piloto, Abicieli Silveira Dias Filho, Henrique Bonfim e o co-piloto Tarciso Pessoa Viana, também morreram.

Marilia (Reprodução)
O avião com a equipe de Marília Mendonça caiu a poucos quilômetros de onde faria o pouso. (Foto: Reprodução; Instagram/Reprodução)

“Sobre esse processo, eu só tenho uma coisa pra falar por ora: se tivesse essa sinalização, tudo poderia ser diferente e isso vai ser importante principalmente para proteger a vida de outras pessoas caso haja uma emergência”, afirmou a jovem. Assista:

Em 6 de novembro, um dia após a tragédia, a Companhia Energética de Minas Gerais afirmou que a linha de distribuição que foi atingida pelo avião fica fora da zona de proteção do aeroporto da cidade, seguindo os termos da portaria do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA).

A zona de proteção é equivalente à área em volta ao aeroporto que está sujeita a restrições para que as aeronaves operem com segurança. A Cemig afirmou, segundo o G1, que “segue rigorosamente as Normas Técnicas Brasileiras e regulamentação em vigor em todos os seus projetos“. Também disse que “as investigações das autoridades competentes irão esclarecer as causas do acidente“. Pilotos que sobrevoaram a região da queda e testemunhas oculares relataram que a aeronave “rasgou” os fios de alta tensão.

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Reclamações de pilotos

Dois pilotos já haviam feito notificações no sistema oficial da Aeronáutica falando sobre os riscos da antena e da torre de energia, sem iluminação, ao redor do aeródromo de Caratinga. Os relatos ocorreram nos últimos três meses e constam no sistema público do DECEA. As reclamações foram registradas no quadro de avisos aos aeronavegantes, o chamado Notam (documento para divulgar informações sobre segurança, regularidade e eficiência da navegação).

No dia 6 de julho, aconteceu a primeira notificação. Ela dava conta de um obstáculo (antena), que era um objeto de forma não autorizada e não iluminada. Isso violaria, segundo o relato, o plano básico da zona de proteção. A segunda notificação veio no dia 13 de setembro, e também cita “obstáculo montado (torre)“, falando sobre os mesmos termos.

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Marília Mendonça se apresentaria em uma cidade do interior de MG. (Foto: Will Dias/AgNews)

Segundo o UOL, uma fonte da área aeronáutica afirmou que essas notificações seriam suficientes para justificar uma interdição no aeroporto em que o avião de Marília pousaria. “Todo piloto deve olhar esses alertas antes de qualquer voo, para saber detalhes, por exemplo, se um número de telefone mudou“, disse a pessoa, que não quis ser identificada.

Ainda segundo a reportagem, o avião em que estava a cantora se aproximou do aeródromo pelo lado oeste, quando o indicado seria pelo setor sul. Outro ponto questionável é que, para acertar os fios, a aeronave tinha que estar voando mais baixo que o indicado. As causas da queda, entretanto, ainda serão investigadas.