Chris Flores detona “baixaria” em caso de Mariana Ferrer, faz discurso certeiro ao vivo e critica advogado que menosprezou influencer: “É um ordinário” — assista!

Chris Flores foi mais uma personalidade que se revoltou com os novos desdobramentos do caso de Mariana Ferrer. Após a divulgação de imagens revoltantes do julgamento de André de Camargo Aranha, a apresentadora criticou a postura do advogado do empresário no “Triturando” desta quarta-feira (4). Ela se manifestou a favor da influencer e classificou a situação toda – em que Ferrer foi publicamente humilhada – como uma “baixaria”.

Assim que pediu a palavra para expressar sua opinião, Chris argumentou sobre a questão do termo “estupro culposo” – usada pelo “The Intercept Brasil” para definir o veredito no caso, como se o réu “não tivesse a intenção de estuprar”. “De fato, não existe essa expressão ‘estupro culposo’ no processo, ok? Não tem. Porque eles usam outros artifícios pra chegar na intenção, que é essa”, explicou ela.

Chris Flores criticou e muito a forma como Mariana Ferrer foi tratada em audiência. (Foto: Reprodução/SBT)

A apresentadora seguiu detonando a postura do advogado Cláudio Gastão da Rosa Filho, chamando-o de “ordinário” por ter humilhado Mariana durante a audiência. “É um ordinário de falar aquilo. Sabe por que ele é um ordinário? Porque tem muita gente que pensa igual a ele. É só você abrir as redes sociais. Tem gente que fala até em veículo de comunicação, chamando a mulher de nomes impropérios que eu não vou repetir aqui, porque eu tenho educação, e eu tô pensando na vítima sempre. Vítima dessa sociedade podre e machista que a gente vive”, disparou.

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Flores reforçou que as mulheres têm o direito de fazer o que bem entenderem, e que isso jamais “justificaria” um estupro. [Sociedade em] que a mulher é culpada por beber, por andar de saia curta, até por tirar fotos em ‘poses ginecológicas’. Porque nós temos direito de fazer tudo isso se a gente quiser. Isso não tá querendo dizer – a gente não tá andando com uma placa – que a gente quer ser estuprada. Porque a gente quer ser amada”, continuou.

Durante audiência, Mariana Ferrer foi humilhada pelo advogado de André Aranha, Cláudio Gastão. (Foto: Reprodução/TV Globo)

A jornalista aproveitou para falar sobre o estupro conjugal, e aconselhar suas espectadoras de que, mesmo quando são casadas, as mulheres têm o direito não querer se relacionar com seus maridos. “Mesmo você, mulher, que é casada, que tá com seu marido na cama, se você quiser parar, você tem todo o direito. Se ele quiser continuar e continuar, isso é estupro. Então as mulheres precisam entender isso”, pontuou ela.

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Na sequência, Chris voltou a tecer críticas pelo modo como Mariana foi maltratada diante da Justiça, clamando que as mulheres sigam denunciando tais casos de violência. “Quando acontece esse tipo de baixaria que a gente viu, as mulheres ficam intimidadas e param de denunciar. Não parem de denunciar! A gente tá junta. E sim, isso é feminismo! São as mulheres de mãos dadas, e mulheres que são casadas, que são honradas, mulheres que têm Cristo, que têm amor no coração. Somos todas iguais!”, acrescentou.

Chris Flores ainda deixou o incentivo de que as mulheres não parassem de denunciar casos de violência sexual ou doméstica. (Foto: Reprodução/SBT)

De forma didática, a apresentadora prosseguiu explanando o que, de fato, é ser feminista: “O que que é feminismo? É você pedir pra ter igualdade. Não é o contrário de machismo, porque machismo é podre. Feminismo é união das mulheres. E a gente tá unida. Não acha que feminista é mulher que não presta, não. Todas nós prestamos. A gente merece respeito”.

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Por fim, Chris expressou seu desejo de que houvesse justiça no caso, especialmente após a audiência – mas a apresentadora também não acredita que isso possa acontecer. “E que todos sejam punidos, o que eu duvido muito. Porque eu acho que esses aí, já estão com a vida ganha, porque até promotor mudou no meio do caso. Não sou boba, não”, finalizou. Assista ao trecho aqui:

Na manhã de hoje, Fernanda Gentil também “quebrou o protocolo” na TV Globo, usando seu espaço no “Encontro” para desabafar sobre os novos e revoltantes desdobramentos do caso Mariana Ferrer. “A gente não pode silenciar vítimas e aliviar culpados”, disse ela. O craque Neto foi outro que se revoltou ao vivo no “Os Donos da Bola”, da Band, criticando a decisão da Justiça sobre André de Camargo Aranha.

Confira a matéria do “Triturando” na íntegra abaixo:

Cenas lamentáveis no caso Mari Ferrer

Ainda em setembro, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) voltou atrás e declarou improcedente o caso de Mariana Ferrer, por falta de provas, a denúncia contra André de Camargo Aranha, acusado de estuprar a blogueira. Vale lembrar, no entanto, que exames realizados por autoridades comprovaram que houve, sim, conjunção carnal e ruptura do hímen da vítima, assim como o sêmen do homem de 43 anos foi encontrado na calcinha da influencer.

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O promotor Thiago Carriço de Oliveira, por sua vez, aceitou a argumentação de que o acusado cometeu o que foi denominado como “estupro culposo”, que seria um ‘estupro em que não há a intenção de estuprar’. A infração não tem nenhum precedente. Trata-se de uma sentença inédita na história desse país, e de um crime jamais previsto na lei. Como ninguém pode ser condenado por uma infração que não é definida judicialmente, o empresário foi absolvido.

Durante audiência, Mariana Ferrer foi humilhada e menosprezada pelo advogado de André Aranha. (Foto: Reprodução/ND)

O site The Intercept Brasil teve acesso ao vídeo da audiência em questão, realizada remotamente em julho, e o divulgou nesta terça (3). Na sessão, o advogado Cláudio Gastão da Rosa Filho, de André de Camargo, chegou a mostrar cópias de fotos sensuais produzidas pela jovem enquanto modelo profissional. O gesto foi interpretado por internautas como uma tentativa de se escorar no datado e misógino argumento de que a mulher, ao usar roupas curtas, pede para ser violada ou estuprada.

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A gravação é um verdadeiro show de falta de profissionalismo, empatia e covardia. Cláudio Gastão utiliza de argumentos baixos, coloca em xeque o caráter de Mariana baseado em poses fotográficas e roupas usadas por ela. Os diálogos menosprezando a jovem são inacreditáveis. “Mariana, vamos ser sinceros, fala a verdade. Tu trabalhava no café, perdeu o emprego, está com o aluguel atrasado há 7 meses, era uma desconhecida. Isso é seu ganha pão, né Mariana? A verdade é essa. É seu ganha pão, a desgraça dos outros. Manipular essa história de ser virgem…”, disse.

Em um dos momentos mais comoventes, Ferrer fica aos prantos e implora por respeito. “Eu gostaria de respeito, doutor, excelentíssimo, eu tô implorando por respeito, no mínimo! Nem os acusados são tratados da forma que estou sendo tratada, pelo amor de Deus, gente! Nem os acusados de assassinato são tratados como estou sendo tratada! Eu sou uma pessoa ilibada, nunca cometi crime contra ninguém”, falou.

Juiz é denunciado ao CNJ

Após o Intercept Brasil divulgar vídeos revoltantes da audiência, o juiz responsável pelo caso, Rudson Marcos, foi denunciado na Corregedoria Nacional de Justiça nesta terça-feira (3). Além disso, o ministro do STF, Gilmar Mendes, cobrou explicações sobre as cenas “estarrecedoras” que foram vistas hoje.

André Camargo Aranha e o juiz Rudson Marcos. (Fotos: Reprodução)

Integrante do Conselho Nacional de Justiça, o conselheiro Henrique Ávila acionou a CNJ com uma reclamação oficial contra o juiz do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, Rudson Marcos. O magistrado tomou como base as gravações que vieram à tona na matéria do Intercept Brasil. “As chocantes imagens do vídeo mostram o que equivale a uma sessão de tortura psicológica no curso de uma solenidade processual. A vítima, em seu depoimento, é atacada verbalmente por Cláudio Gastão da Rosa Filho, advogado do réu”, escreveu no documento.

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Henrique fez questão de ressaltar as atrocidades que foram feitas contra Mariana no julgamento, que foi realizado por chamada de vídeo. “Fotos da vítima são classificadas como ‘ginecológicas’; seu choro, como ‘dissimulado, falso’; sua exasperação, como ‘lagrima de crocodilo’. Afirma o advogado que não deseja ter uma filha ou que seu filho se relacione com alguém do ‘nível’ da vítima e que o ‘ganha-pão’ da vítima é a ‘desgraça dos outros’”, destacou.

Para Henrique Ávila, o juiz Rudson Marcos não teve uma postura profissional para cessar os ataques e humilhações que Ferrer estava sofrendo. “O magistrado, ao não intervir, aquiesce com a violência cometida contra quem já teria sofrido repugnante abuso sexual. A vítima, ao clamar pela intervenção do magistrado, afirma, com razão, que o tratamento a ela oferecido não é digno nem aos acusados de crimes hediondos”, lamentou. Henrique finalizou o documento pedindo “a imediata e completa apuração da conduta do juiz”.

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Mas não para por aí… A repercussão do vídeo do julgamento chegou ao conhecimento de Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal. “As cenas da audiência de Mariana Ferrer são estarrecedoras. O sistema de Justiça deve ser instrumento de acolhimento, jamais de tortura e humilhação. Os órgãos de correição devem apurar a responsabilidade dos agentes envolvidos, inclusive daqueles que se omitiram”, compartilhou em sua conta no Twitter.

Estupro de vulnerável

Em julho de 2019, o Ministério Público de Santa Catarina seguiu o mesmo entendimento da polícia civil no inquérito e defendeu que Mariana não tinha discernimento para consentir com a relação sexual – que teria ocorrido em uma área privada de uma festa, em 15 de dezembro de 2018, no beach club Café de La Musique, em Jurerê Internacional, em Florianópolis.

André Camargo de Aranha, então, foi acusado pelo crime de estupro de vulnerável, que prevê situações de “conjunção carnal” ou “prática de outro ato libidinoso” com menor de 14 anos ou “com alguém que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência”.

André de Camargo Aranha foi indiciado por “estupro de vulnerável” em 2019, no caso de Mariana Ferrer. (Foto: Reprodução/Instagram/Twitter)

Em sua versão, a jovem aponta que teria sido dopada e, por isso, não se lembrava do que havia acontecido e, consequentemente, não poderia ter consentido com a relação. Áudios gravados por ela no celular naquele momento também foram juntados ao inquérito policial. Neles, ela pedia, com a voz embaraçada, ajuda a pelo menos três amigos.

Saiba todos os detalhes do caso, da sua repercussão perante às esferas da Justiça, e da conclusão do processo, clicando aqui.