Samantha Schmutz Cinemateca

Samantha Schmütz faz forte desabafo e dispara críticas após incêndio na Cinemateca; assista

Samantha Schmütz fez um forte desabafo nesta sexta-feira (30), após o incêndio num galpão da Cinemateca Nacional. A atriz lamentou o incidente, que destruiu parte do acervo histórico do cinema e da TV brasileira, e demonstrou seu incômodo com a conivência e falta de posicionamento de alguns integrantes da classe artística.

“É muito triste o que tá acontecendo com nosso cinema, com a nossa cultura. Eu fico pensando assim, que as pessoas, os artistas que apoiam esse governo [de Jair Bolsonaro], que ajudaram a eleger esse governo, que fazem cinema, estão quietas”, iniciou a atriz. “Essas pessoas que usurpam da arte para fazer somente coisas periféricas – somente para fazer publis, capas, eventos, presenças – mas elas não estão nem aí para o cinema nacional. Essas pessoas deviam ter vergonha na cara e nunca mais pisar num set de filmagens, nem pra fazer figuração, que fosse”, disparou.

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Samantha Schmütz fez um forte desabafo após o incêndio da Cinemateca. (Fotos: Reprodução/Instagram)

Na sequência, Schmütz citou a participação de brasileiros no renomado Festival de Cinema de Cannes. “Cadê as beldades que estavam em Cannes desfilando seus colares? Atrizes, modelos… Cadê, gente? Cadê vocês, lindas, que foram pra Cannes? Cadê? Cadê vocês? Gente, vocês que tem milhões de seguidores, vocês são maravilhosas, vocês vão pra lá e desfilam vestidos de marca. As pessoas vão pra Cannes representar as atrizes, o cinema brasileiro, sendo que nunca venderam a p*rra de um ingresso”, acrescentou. É válido ressaltar que, além de atores e atrizes que integram elencos dos filmes e representam os países, muitas personalidades apenas estão presentes no festival por serem convidados por marcas patrocinadoras do evento.

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“Gente, vamos acordar! Tá tudo errado. Está tudo errado! Parem, parem, acordem. Parem de pensar só no seu umbigo, na sua conta bancária”, disse a humorista. Samantha concluiu seu discurso de modo ainda mais incisivo. “Eu acho muito covarde, cara. O meu sonho é que pseudo-artistas não ocupem o lugar de verdadeiros artistas. Ao invés de estar em Cannes, vocês deveriam estar em cana. É isso o que eu acho, tá bom? Presos por omissão. Por colaborar, por serem coniventes com a destruição, com o sucateamento da nossa profissão”, encerrou.

Assista abaixo:

Na noite desta quinta-feira (29), um incêndio atingiu um galpão da Cinemateca Brasileira, que fica na Vila Leopoldina, em São Paulo. O local abrigava grande parte dos arquivos que remontam a história do audiovisual brasileiro, como trabalhos da extinta Empresa Brasileira de Filmes (Embrafilme), do Instituto Nacional do Cinema (INC), do Conselho Nacional de Cinema (Concine), de distribuidoras, documentos e acervos de cineastas, como Glauber Rocha, entre uma série de outros registros únicos.

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O órgão é de responsabilidade do governo federal, através da Secretaria Especial de Cultura. Contudo, o descaso com a Cinemateca já é discutido há muito tempo, tanto que já havia alertas do risco de um incêndio há mais de um ano. O mesmo local foi atingido por um temporal em 2020, que alagou o galpão e comprometeu parte do arquivo. Cerca de 500 obras também foram destruídas em outro incêndio, em 2016, no outro prédio da instituição, na Vila Mariana, também em São Paulo.

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A gestão da Cinemateca Brasileira é responsabilidade do governo federal. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Funcionários da associação que mantinha a Cinemateca também foram demitidos em 2020, após o governo federal não repassar R$ 14 milhões em verbas à organização. Com o incêndio de ontem, a Secretaria Especial da Cultura publicou um edital para contratação de uma entidade gestora para a Cinemateca Brasileira. O edital prevê a contratação de uma entidade privada sem fins lucrativos, que deve ficar à frente da instituição pelos próximos cinco anos.